QUALIDADE E DISPONIBILIDADE DE ÁGUA EM MICROBACIA


Visita ao Cinturão Verde - Área Norte

UNESP Ilha Solteira - Área de Hidráulica e Irrigação

Aula Prática - 10 de março de 2008

Nesta aula prática foi visitada a Microbacia do Cinturão Verde - Área Norte desde a sua nascente em uma área urbanizada, passando por uma área de mata remanescente, passando por área degrada tomada de macrófita, como aguapé e tabôa.

Ao final da aula, a expectativa é a de que o aluno possa consolidar os conhecimentos em gerenciamento da água, reconhecendo os limites de uma microbacia e a importância do trabalho de conservação do solo e da água de maneira coletiva, a legislação em vigor, a medição da vazão in loco e a comparação com vazão regionalizada em suas várias formas de cálculo e ainda a qualidade da água em seus aspectos físicos, químicos e biológicos.

O uso e ocupação do solo e a ação antrópica sobre a disponibilidade e qualidade da água discutida e vivenciada em campo. O intenso uso da água e a conseqüente degradação física, química e biológica contribuem para agravar sua escassez e qualidade de água. Por esse motivo a Área de Hidráulica e Irrigação, tem a necessidade crescente do acompanhamento das alterações da qualidade da água da região noroeste, que faz parte do monitoramento ambiental de forma a impedir que problemas decorrentes da poluição da água venham a comprometer seu aproveitamento múltiplo.

Para demostrar aos alunos os procedimentos de coleta em campo, houve coleta de água neste local, pois a informação sobre qualidade da água é necessária para que se conheça a situação dos corpos hídricos com relação aos impactos antrópicos na microbacia.

Nesta aula os alunos tiveram a oportunidade de conhecer dois métodos de medição de vazão. O método do flutuador e o método do molinete hidrométrico, o primeiro é simples e barato de realizar em campo, mas com limitações na precisão e o segundo um método mais eficiente de medição de vazão, pois consiste em um equipamento que mede a velocidade média do fuxo de água ao longo da largura do curso d’ água, sendo calculada da seguinte maneira:

Q= v1 . S1+ v2 . S2 + ... + vn . Sn, onde,
Q - vazão do curso d’água (m3/s);
v1 - velocidade do fluxo de água na seção molhada 1 (m/s);
S1 - área da seção 1 (m2);
v2 - velocidade do fluxo de água na seção molhada 2 (m/s);
S2 - área da seção 2 (m2);
vn - velocidade do fluxo de água na seção molhada n (m/s);
Sn - área da seção n (m2);

No método do flutuador deve-se procurar um trecho do córrego, uniforme e que o fundo não seja muito irregular. Determina dois pontos com distância de 5 metros no trecho a ser medido, esta distância vai ser usada para medir a velocidade do fluxo. No ponto a montante constroi o perfil, medindo a largura e a profunididade da seção. Disto resulta a área da seção transversal do córrego (m2), a jusante realiza-se o mesmo procedimento, no final tem a média das duas seções. Os tempos gasto pelo flutuador para atravessar a distância dos dois pontos devem ser anotados e o resultado é uma média dos tempos, o objeto utilizado na prática foi um garrafa pet (600 ml). A equação para cáculo de vazão, segue abaixo:

Q= A . D . C / T, onde,
Q - vazão (m3/s);
A - área da seção transversal do córrego (m2);
D - distância usada para medir a velocidade do fluxo d'água;
C - coeficiente de correção: usar 0,8 para córrego com fundo rochoso; usar 0,9 para córrego com fundo lodoso;
T - tempo (s) gasto pelo objeto flutuador para atravessar a distância D.

O local tem sido visitado como base para outras aulas práticas (12 de março de 2007) e a amostragem da água nos diferentes pontos foi realizada para avaliação em laboratório, que revelou os seguintes dados:

:: Ponto 1. S 20º24'41.87" - W 51º20'25.85"
:: Ponto 2. S 20º24'04.10" - W 51º20'54.29"
:: Piscicultura. S 20º24'06.53" - W 51º20'57.24"
:: Ponto 4. S 20º24'00.39" - W 51º21'06.03"


Veja também a aula prática realizada em 13 de agosto de 2007 no Córrego da Tabôa, também no entorno de Ilha Solteira.

A legislação envolvida com a aula seria:

- Lei 9.433 de 8/01/1997 - Lei das Águas
- Lei 9.034 de 27/12/1994 - Dispõe sobre o Plano Estadual de Recursos Hídricos - SP
- Resolução CONAMA 369/2006 de 28/03/2006 - Dispõe sobre os casos excepcionais, de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em Área de Preservação Permanente -APP .
- Resolução CONAMA 357 de 17/03/2005 - Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências .
- Resolução CONAMA 20 de 30/07/1986 - Classificação das águas doces, salobras e salinas essencial à defesa de seus níveis de qualidade, avaliados por parâmetros e indicadores específicos, de modo a assegurar seus usos preponderantes.

Já a bibliografia sugerida seria:


ANA - Agência Nacional de Águas. Panorama da qualidade das águas superficiais no Brasil. Brasília: ANA - Superintendência de Planejamento dos Recursos Hídricos, 2005. 176p.
ANDERSON, M.G.; BURT, T.P. Hydrological forecasting. John Wiley & Sons, 1990. 604p.
AYERS, R.S. Calidad del agua para la agricultura. Roma: FAO, Estudio FAO Riego y Drenaje, n.29, 1984. 85p.
CARVALHO, N.O.; FILIZOLA JÚNIOR, N.P.; SANTOS, P.M.C. LIMA, J.E.F.W. Guia de avaliação de assoreamento de reservatórios. Brasília: ANEEL, 2000. 132p.
DAEE - DEPARTAMENTO DE ÁGUAS E ENERGIA ELÉTRICA. Manual de cálculos das vazões máximas, médias e mínimas nas bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. São Paulo, 1994, 64p.
DIAS, M.C.O. (Coordenadora). Manual de impactos ambientais: orientações básicas sobre aspectos ambientais de atividades produtivas. Fortaleza: Banco do Nordeste, 1999. 297p.
HERNANDEZ, F.B.T. et al. Aproveitamento Hidroagricola no Estado de São Paulo - Projeto piloto de conservação dos recursos de solo e água e irrigação coletiva nas microbacias hidrográficas dos córregos Sucuri, Bacuri e Macumã em Palmeira d´Oeste - SP. Ilha Solteira: UNESP / Governo Federal, 2000. 191p. (3 volumes)
HERNANDEZ, F.B.T. et al. Cinturão Verde - Projeto piloto de agricultura irrigada em Ilha Solteira - SP. Ilha Solteira: UNESP / FEPISA, 2000. 85p.
NAKAYAMA, F.S.; BUCKS, D.A. Trickle irrigation for crop production. St. Joseph: ASAE, 1986. 383p.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL (U.S.). Irrigation - induced water quality problems: what can be learned from the San Joaquim Valley experience.Washington, National Academy Press, 1989, 157p.
PESCOD, M.B. Wastewater treatment and use in agriculture. Roma, FAO Irrigation and Drainage, Paper 47, 1992.
SETTI, A.A.; LIMA, J.E.F.W.; CHAVES, A.G.M.; PEREIRA, I.C. Introdução ao gerenciamento de recursos hídricos. Brasília: ANEEL - ANA, 2001. 328p.
TUCCI, C.E.M. (Organizador). Hidrologia: ciência e aplicação. Porto Alegre: ABRH - EDUSP, 1993. 943p.
TUCCI, C.E.M.; PORTO, R.L.L.; BARROS, M.T. (Organizadores). Drenagem urbana. Porto Alegre: ABRH / Editora da Universidade / UFRGS, 1995. 428p. (Coleção ABRH de Recursos Hídricos, Volume 5).
TUCCI, C.E.M.; MARQUES, D.M.L.M. (Organizadores) Avaliação e controle da drenagem urbana. Porto Alegre: Editora da Universidade / UFRGS, 2000. 558p.

Os sites sugeridos são:

Agência Nacional de Águas (Legislação, softwares, etc)
Artigos assinados pela Área de Hidráulica e Irrigação publicados em jornais e revistas
Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (PEMBH)
Dados agroclimatológicos do oeste do Estado de São Paulo

Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Outorga e recursos hídricos)
Sistema de Informações para Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo
Textos técnicos publicados pela Área de Hidráulica e Irrigação

 
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E vamos nós...
ao córrego do Valentim.
Como andam devagar....
...mas a turma chega animada.
Professor Tangerino proxímo do divisor inicail de águas, ou seja da nascente.
E a explicação continua...
 Alunos observam o divisor de água.
Professor Tangerino mostrando a área de contribuição da microbacia.
Na UNESP Ilha Solteira, aula prática é realmente prática... e lá vamos nós para o meio do mato...
Professor Tangerino descrevendo as características do manancial.
Técnico Ronaldo demostrando a utilização do GPS.
O professor Tangerino ensina  os procedimentos corretos para a coleta de água...
.. o aluno faz a lavagem do recipiente de coleta com a própria água do manancial...
..em seguida a água é coletada para análise físico-química em laboratório.
O estagiário Gustavo explica os cuidados  para  coletar a água de análise de oxigênio dissolvido.
E a caminhada continua...
..vamos ao próximo ponto...
Professor Tangerino explica como medir a vazão do córrego.
Alunos medem  a seção do manancial para o calculo da vazão.
Alunos medem  a seção do manancial para o calculo da vazão.
Alunos medem  a seção do manancial para o calculo da vazão.
Alunos medem  a seção do manancial para o calculo da vazão.
A turma observa as características do manancial.
Professor Tangerino apresenta diferentes formas de mensurar a vazão.
É feita a medição do comprimento da seção.
E o pessoal coloca a mão na massa.
O estagiário Gustavo explica  o uso do molinete para o calculo da vazão.
Estagiário da Área de Hidráulica e Irrigação demonstra utilização do molinete.
Medição da velocidade da água através do uso de molinete.
Alunos observam a realização do método do flutuador.
A profundidade da seção é medida para o calculo da área.
Medição da velocidade através do método do flutuador.
Professor Tangerino ressalta a importancia da escolha do local para a medição.
Alunos escolhem uma seção menor para a medição.
Dificuldades de locomoção...
Afim de comparação, é medido a vazão em uma seção mais estreita do manancial
Demarcação da seção.
Mensuração da área do perfil.
Alunos calculando a vazão do manancial.
Professor Tangerino compara os locais onde foram mensuradas as vazões.
Guardando o equipamento.
Adversidades no retorno.
Acabou...
Acabou...
Turma do 1º Semestre de 2005
Turma do 1º Semestre de 2005