OS EXCLUÍDOS DOS EMPREGOS

AUTORA: Paula Lago 


 

Os Excluídos: Candidato cortado de imediato na seleção

Levantamento mostra o que elimina de cara um candidato

Candidatos "barrados"  na seleção pecam por falta de bom senso
Dicas tiram candidatos da "guilhotina"

 
 

OS EXCLUÍDOS
Candidato cortado de imediato na seleção
Características mais citadas pelas empresas

Não é usuário da informática
Tem pouco conhecimento de idiomas
Não tem formação superior
Demostra falta de interesse em aprender e se atualizar
Tem dificuldade de relacionamento e de trabalhar em equipe
Possui estilo "burocrata"
Não mostra ter objetivos
É arrogante ou antipático
Acredita ser auto-suficiente, mas não é
Mostra ser lento no trabalho
Usa óculos escuros durante a entrevista
Não tem conhecimento técnicos
Tem problemas de higiene, como roupas sujas
Não demonstra interesse nos negócios da empresa
Fuma ou comparece à entrevista com cheiro de cigarro ou bebida
Não consegue expressar idéias com objetividade
Faltam-lhe iniciativa e entusiasmo
Demonstra muita intimidade com o entrevistador

Folha de Sâo Paulo, 26/12/1999, p. 5.10


 
 

Levantamento mostra o que elimina logo de cara um candidato

Por mais que se diga que não há uma receita infalível para passar em uma entrevista e ganhar a vaga, é possível apontar uma lista até extensa do que nunca fazer           quando se é candidato.
Levantamento feito pela Folha com 37 grandes empresas traça justamente isso: as deficiências que eliminam sumariamente o profissional do processo seletivo.
São atitudes ou características psicológicas e técnicas de candidatos que marcaram -negativamente- a memória dos recrutadores. Essa lista de atributos pode dar uma
 idéia sobre qual comportamento é mais adequado para quem está na fase da seleção.
O item mais citado, de maneira espontânea, por responsáveis pelos departamentos de recursos humanos das companhias, foi não ter conhecimento de inglês ou           de algum outro idioma, resposta de 80% dos recrutadores.
As empresas deixam claro que, se o candidato não tiver uma outra nítida e importante virtude para compensar essa "falha" na formação, não tem jeito. Ele não vai conseguir passar nem da primeira triagem dos currículos recebidos pela companhia.
Mas no levantamento também surgiram aspectos curiosos que já causaram liminação de profissionais, como o uso de óculos escuros durante a entrevista.
Arrogância, falta de higiene e até o fato de ser fumante podem pôr a perder todos os esforços do candidato na busca pela vaga. 

 

Candidatos "barrados" na seleção pecam por falta de bom senso

           Apenas um deslize e pronto. A vaga que "já era sua" o deixou a ver navios. O "escorregão" pode ocorrer no uso de uma gíria ou até na participação em uma entrevista cheirando a álcool (caso real relatado pelo recrutador de uma grande empresa).
           É certo que os selecionadores deveriam avaliar todo o conjunto de atributos do candidato. Mas e se eles tiverem de escolher entre dois profissionais empatados nas qualidades técnicas? Aí, aquele "escorregão" vai ser lembrado.
           Às vezes, o recrutador até procura ajudar o entrevistado. Augusto Nacarini, 48, vice-presidente de recursos humanos para o Mercosul da Philip Morris, já tentou convencer um candidato com potencial para que ele pudesse ficar com a chance na companhia.
           "Em nossa empresa, é imprescindível ter disponibilidade para viajar. Ele não tinha, e não consegui persuadi-lo.
           Apesar do ótimo currículo, foi eliminado", conta.
           Decote e perfume
           Encontrar o candidato ideal para a vaga aberta também não é uma tarefa fácil. Para evitar equívocos, os processos seletivos tornam-se longos e meticulosos.
           "Não podemos correr o risco de cometer uma injustiça, por isso avaliamos os candidatos pelos resultados obtidos em todos os testes aplicados", afirma Célia Guimarães Pinheiro, 40, superintendente de RH da Credicard.
           Mas, para que o "conjunto" tenha uma boa avaliação, é necessário que cada parte apresente também bons resultados. E, pensando em impressionar o entrevistador, Alguns passam dos limites.
           O exagero pode estar no decote da blusa, no comprimento da saia, na quantidade de perfume ou na informalidade da conversa com o recrutador, por exemplo.
           Cuidados com a higiene e a aparência, apesar de não medirem a competência do profissional, são alguns dos fatores levados em consideração pelas empresas.
           "O candidato tem de ter postura e cuidado com o visual.
           A maneira como se expressa também conta muito, pois será daquele jeito que se comunicará com nossos clientes", afirma Cristina Bonini, 36, gerente de recursos humanos da consultoria KPMG.
           Outro aspecto importante destacado pelos recrutadores é o comportamental. "Entrevistamos alguns candidatos que não demonstram, pelos testes, ter iniciativa ou objetivo. Essas pessoas não têm muita chance", diz Denise Moreira Asnis, 35, diretora adjunta de desenvolvimento organizacional do BankBoston.

 

Dicas tiram candidato da "guilhotina"

          Os consultores dão uma série de recomendações para os candidatos não serem eliminados dos processos seletivos por "bobeira". A principal é a racionalidade.
       "O profissional tem de demonstrar naturalidade e equilíbrio", afirma Laís Passarelli, sócia-diretora da Passarelli Consultores.
           Para começo de conversa, um ponto importante é prestar atenção ao modo de se vestir durante o processo de seleção.
           "Tente descobrir qual a cultura da empresa. Se não conseguir, o mais indicado é o tradicional: terno e gravata para os homens e tailleur para as mulheres", indica Lizete Araújo, do Grupo Catho.

          
Ansiedade
           O passo seguinte é preparar-se para a entrevista, o que pode não ser tão simples assim. "Você tem de racionalizar sua história e contar, sem arrogância e com bjetividade, quem você é e o que você quer", afirma Laís.
           Como muitos dos tropeços acontecem por causa da ansiedade dos candidatos, tente ao menos controlar os nervos.
           "Não dando certo, informe ao entrevistador que você está nervoso com a situação e que aos poucos irá se tranquilizar", diz Sandra Regina Gouveia Moreira, Consultora da Manager.
           Mas isso não é tudo. Pense que tem de tentar aparentar bom humor. Esse tem sido um dos requisitos nos processos seletivos.
           "Ninguém quer um funcionário depressivo ou insatisfeito.
           Esse tipo de atitude negativa mostra alguém que não tem confiança em seu potencial", afirma Sandra.

          
Vocabulário
           Para passar uma imagem de profissional confiante, uma boa ferramenta é a linguagem.
           Como seu vocabulário pode ser uma maneira de garantir a vaga, fique atento. Nada de usar gírias ou termos técnicos demais. O mais indicado é ser formal.
           Para Laís Passarelli, é o momento mais importante. "É quando o candidato se vende. Sempre com transparência, ele tem de mostrar seu melhor lado", avalia.
           Outro ponto: se você tiver problemas de relacionamento com os antigos empregadores, cuidado. Alguns recrutadores costumam checar o histórico do candidato.
           "Referências inadequadas podem excluir o candidato, independentemente do resultado obtido nos testes", alerta Lizete.
           Concluída a entrevista, ficou aquela sensação de que você poderia ter ido melhor? Não desanime, a vaga ainda pode ser sua.
           Os consultores dizem que está havendo uma preocupação redobrada em não excluir um candidato por um fator isolado não muito grave.