SALA DE AULA É AMBIENTE IDEAL PARA CONSOLIDAR AGENDA

 


Quem volta à sala de aula para fazer um MBA precisa saber aproveitar a boa rede de contatos que o curso oferece. Um "networking" bem-feito garante projeção no mercado, rende novos negócios e pode resultar em tentadoras ofertas de trabalho.
Segundo especialistas, uma sala de aula cheia de executivos de diferentes empresas é o local perfeito para atualizar a agenda. "No curso, o convívio é sistemático e periódico. Você vê a pessoa todas as aulas e assim fica mais fácil estabelecer contato", explica Lorene Carvalho, uma das diretoras de assessoria da KPMG.

Linha direta
Boas relações com companheiros de classe podem ser úteis em diferentes casos. O administrador Rogério Uliana, 31, sacava o telefone sempre que queria se informar sobre alguma área ou algum mercado que não dominava.
"Eu ligava para um amigo e em alguns minutos já sabia o que precisava para atender melhor meus clientes", diz ele, que fez o MBA executivo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). "A turma era bastante variada, favorecia a troca de informações."
O professor também ajudava a abrir mercado. "Ele fazia trabalho semelhante ao meu e me repassava clientes." Da colaboração nasceu a sociedade em um escritório de consultoria empresarial.
O professor em questão, Miguel Noronha, 42, trabalhou por mais de dez anos como executivo antes de se dedicar à consultoria e às aulas. Ele avalia que "ser professor de um MBA oferece uma excelente projeção e traz clientes".

Grupos de ex-alunos
Uma das melhores maneiras de aproveitar ao máximo a "parte social" do MBA é participar das associações de alunos. É a chance de conhecer melhor os colegas, mas evitando ser inconveniente.
"O executivo precisa agir naturalmente. Tem de conversar com os outros sem forçar intimidade nem insistir muito", ensina a especialista em etiqueta Claudia Matarazzo.
Além do corpo a corpo, algumas escolas possuem listas de discussão pela internet das quais participam tanto os alunos atuais como os antigos. No curso MBIS, MBA em tecnologia da informação da PUC-SP, por exemplo, os executivos usam a rede para fazer um intercâmbio de currículos.
"Quando queremos algum profissional com um determinado perfil, mandamos um e-mail e logo um companheiro indica alguém interessante", diz Valter Jagosich, ex-aluno que achou emprego com a ajuda da lista.

 
ESCOLAS ABUSAM DA SIGLA PARA SEDUZIR ALUNOS
MBA virou moda. As três letrinhas se reproduziram e pululam nas instituições de ensino brasileiras. Mas a maior parte dos novos cursos não é "puro sangue". O conteúdo mistura gestão com tópicos de searas que vão de agronegócios a qualidade de vida, passando por gerenciamento de shoppings e até design de moda. Em princípio, agregam conhecimento, avaliam especialistas, mas poderiam dispensar a sigla.
Danute Garziulis, da Spencer Stuart, identifica uma "generalização do termo". A denominação "MBA", diz, é usada de forma inapropriada. "Os programas com nível de pós estão sendo lançados no mercado como "MBAs". Há universidades que deram uma repaginada nos cursos para rebatizá-los com a sigla, que tem apelo."
John Schulz, da BBS, também percebe modismo: "As pessoas viram que a sigla é muito popular. Tem curso que se chama "MBA em estilismo". Um curso como esse não prepara a pessoa para fazer nada além de ser estilista. Não é que seja ruim, mas não forma mestres em "business'", distingue.
Embora não descarte de imediato currículos que listem "MBAs em", Danute Garziulis revela certa reserva. "MBA bem-feito não precisa ser direcionado."
Os "masters" de gestão com foco setorial atendem à necessidade decorrente do aumento da concorrência e da conseqüente exigência de especialização, analisa Paulo Lemos, da FGV. "A tendência é a especialização. Há uma massa de pessoas que já fizeram gestão empresarial e vão para um MBA segmentado, que é válido, apesar do escopo limitado", defende. "Gestão de hospitais, por exemplo, é algo complexo. O curso tem base de gestão empresarial e um terço do conteúdo dedicado ao segmento."
Jorge Antunes, 48, diretor da franquia Mundo Verde, optou por outro nicho. "Estou estudando a evolução do terceiro setor no Brasil, [ ] a economia desse segmento", conta ele, que faz MBA em responsabilidade social na UFRJ.

Público e qualidade
Pedro Carvalho de Mello, da FGV, lembra que o público, formado por executivos, é "muito seleto e altamente demandante" quando a questão é a qualidade dos cursos. A exigência dos alunos, avalia, determinará o sucesso ou o fracasso das novidades.
Danute Garziulis também diz que o executivo brasileiro é informado, atento e curioso. "As escolas estão competindo por eles e isso deve regular o nível dos cursos." Ela entende que a escolha do programa se faz pelo sentido que o profissional pretende imprimir à carreira.

ESCOLAS MOLDAM CURSOS AO GOSTO DAS CORPORAÇÕES
Nem só de MBAs setorizados se faz a segmentação do setor. Companhias com necessidades muito específicas negociam cursos sob medida às escolas sob o rótulo de "MBAs in company" (dentro das empresas).
O Pão de Açúcar, por exemplo, implantou em 2003 um programa em parceria com a FGV a fim de ampliar a visão de negócios dos executivos. "O foco dos cursos estava desconexo com a nossa realidade. Buscamos o que há de melhor em gestão, mas discutido à luz de nossa cultura", diz Marília Parada, diretora de planejamento e desenvolvimento de RH.
Os 35 participantes da primeira turma traçaram planos de negócios. Concluído o curso, a "tarefa" virou projetos de verdade na firma, que ganhou ainda com a redução dos recursos destinados a custear MBAs.
Aylza Munhoz, diretora da ESPM Business School, afirma que os programas "in company" são mais velozes. "Um MBA de 360 horas leva um ano e meio para ser concluído. Na empresa, dá pra fazer em meses. São aulas de dia inteiro."
Ela reconhece que a opção perde em diversidade. "Por isso é preciso levar em conta o quão específica é a necessidade de formação da equipe e a velocidade que se deseja impor."
"Temos visão de mercado médico apurada, mas não tradição de executivos na área médica", comenta Cláudio Lotemberg, presidente do hospital Albert Einstein, que buscou outro formato na parceria com o Ibmec. O curso de gestão em saúde foi desenhado em conjunto, mas não é exclusivo do hospital, o que lhe dá mais viabilidade. "Temos interesses específicos, mas para criar atratividade para o mercado não podíamos montar uma grade focada só na nossa realidade."
 



UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA