PLANO AGRÍCOLA E O FUTURO DA NAÇÃO

 

Antônio Ermírio de Moraes

Há muito tempo, falava-se que a lavoura era a salvação nacional. E foi mesmo. Mais importante. Nos últimos dez anos, a agropecuária, agora adicionada pelo agribusiness, vem desempenhando um papel crucial no desenvolvimento econômico. Sua taxa de crescimento tem ficado sempre acima da do PIB nacional. Durante o Plano Real, a verdadeira ferramenta na manutenção da estabilidade de preços foi a chamada "âncora verde". Mais recentemente, o sucesso das exportações tem sido fundamentalmente garantido pelo setor do agronegócio.
Neste ano de 2005, estamos entrando em uma quadra preocupante para o setor. Os preços internacionais da soja, do milho e do algodão estão em baixa, e os custos de produção estão em alta. O aumento nas exportações que pode ser conseguido neste ano talvez não seja suficiente para compensar a elevação daqueles custos. Além do mais -e apesar das promessas-, tanto a União Européia como os Estados Unidos continuaram ferindo neste ano de 2005 o desempenho da nossa agropecuária com subsídios de alta monta.
O ministro Roberto Rodrigues, atento a todos os acontecimentos do mercado interno e externo, sabe melhor do que ninguém que um fracasso da agricultura poderá significar um fracasso nas nossas exportações, no crescimento e no emprego.
Aos fatores acima mencionados, em importante entrevista concedida ao jornal "O Estado de S. Paulo" no dia 22 de fevereiro, o ministro da Agricultura foi enfático ao criticar a exorbitância dos juros internos e a exagerada valorização do real perante o dólar.
Usando uma linguagem franca e direta, Roberto Rodrigues afirmou: "Se tudo continuar como está, vamos perder competitividade, e o processo de avanço das exportações terá uma séria reversão".
O seu raciocínio é límpido: juros altos demais atraem dólares especulativos, que aqui chegam para serem aplicados em títulos públicos que rendem quatro ou cinco vezes mais do que os papéis dos países de origem e, com isso, rebaixam a taxa de câmbio de forma artificial e inapelável para um setor que tem tudo para continuar exportando e gerando empregos neste país tão carente.
Roberto Rodrigues é um homem experiente e profundo conhecedor dos assuntos agrícolas. O seu chamamento não tem tom de crítica à política econômica. Constitui um importante alerta para as autoridades monetárias, que reconhecidamente enfrentam graves dilemas.
O fato concreto é que o setor que foi a âncora verde e que agora é a locomotiva das exportações não pode ser maltratado e muito menos destratado pela política monetária, mesmo porque, conhecendo as potencialidades do Brasil nesse setor, o ministro da Agricultura vem pensando grande e elaborando um plano agrícola para os próximos 30 anos. Afinal, é certo que, nesse período, o Brasil será chamado várias vezes a atender a demanda do mundo como um grande celeiro de produção e exportação de alimentos.

 



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