13.3. Poços

 13.3.1. Recursos hídricos subterrâneos
A disponibilidade hídrica subterrânea pode ser avaliada pelas características hidráulicas e geométricas dos aqüíferos existentes na cidade de Palmeira d’Oeste que se encontra regionalmente inserida na bacia hidrográfica do São José dos Dourados.
A ocorrência da águas subterrâneas é condicionada nessa bacia hidrográfica pela presença de três grandes unidades aqüíferas, são elas: o sistema Bauru, o Serra Geral e o Botucatu. 
Nos Quadros 66 e 67 são apresentadas de forma sintética as características hidrogeológicas dos três sistemas aqüíferos obtidas através de levantamentos bibliográficos.

QUADRO 66 - Resumo das características hidrogeológicas dos aqüíferos presentes na bacia hidrográfica 
                     do São José dos Dourados.

Aqüíferos
Unidade Geológica
Características Hidrogeológicas
BAURU
Grupo Bauru (Formações Santo Anastácio e Adamantina)
Extensão regional, porosidade granular, livre a semiconfinado, descontínuo, heterogêneo e anisotrópico
SERRA GERAL
Formação Serra Geral
Extensão regional com caráter eventual, transmissão hidráulica por fraturas, livre a semiconfinado, descontínuo, heterogêneo e anisotrópico.
BOTUCATU
Formações Botucatu e Pirambóia
Extensão regional, porosidade granular, confinado, contínuo, homogêneo, isotrópico

QUADRO 67 - Resumo das Características Geométricas e hidrogeológicas dos aqüíferos presentes na 
                      bacia hidrográfica do São José dos Dourados.

Aqüíferos
Hidráulica dos aqüíferos
Hidráulica dos poços
 
Transmissividade (m2/d)
Porosidade

Efetiva

(%)

Vazão Específica

(m3/h/m)

Vazão

Média

(m3/h)

Profundidade média

(m)

BAURU
10 a 100
5 a 15
0,5 a 2,0
12 a 13
75 a125
SERRA GERAL
1 a 200
1 a 5
0,01 a 10
5 a 70
50 a 150
BOTUCATU
350 a 500
16 a 24
0,01 a 26
200
300 a 1700

No Quadro 68 são apresentados os dados obtidos em diferentes cadastramentos realizados por diferentes organismos públicos do Estado de São Paulo, como o DAEE-Departamento de Águas e Energia Elétrica; SABESP- Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e Federal como a CPRM -Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais.
No Quadro 69 são apresentadas as profundidades máximas, médias e mínimas por aqüífero nos poços cadastrados.

QUADRO 68 - Vazões por aqüíferos dos poços cadastrados.

Aqüíferos
Número de 

Poços

Vazão

Mínima (m3/h)

Vazão 

Máxima (m3/h)

Vazão 

média (m3/h)

BAURU
73
0,0
120,0
13,7
BAURU / SERRAGERAL
22
0,0
517,0
33,0
SERRA GERAL
2
6,0
21,0
13,5
SERRA GERAL / BOTUCATU
2
189,8
297,5
243,7
NÃO DEFINIDO
84
0,0
34,4
8,2

QUADRO 69 - Profundidades por aqüífero dos poços cadastrados.

Aqüíferos
Número de

Poços 

Profundidade

Mínima (m)

Profundidade

Máxima (m)

Profundidade

Média (m)

BAURU
7
66,0
211,0
121,3
BAURU / SERRAGERAL
22
102,0
280,0
162,4
SERRA GERAL
2
104,0
181,0
142,5
SERRA GERAL / BOTUCATU
2
1205,0
1322,0
1263,5
NÃO DEFINIDO
84
0,0
250,0
86,2

13.3.2. Sistema Aqüífero Bauru
O sistema aqüífero Bauru caracteriza-se como uma unidade hidrogeológica sedimentar, permeável por porosidade granular, destacando-se pela sua extensa área de afloramento no Estado de São Paulo. Estudos realizados pelo DAEE (1976) nas regiões administrativas de Bauru, São José do Rio Preto e Araçatuba, indicam que a espessura saturada do aqüífero variável entre 100 e 150 m, condicionada pela morfologia da superfície e pelo substrato rochoso, representado pelos basaltos da Formação Serra Geral. A amplitude das variações sazonais situa-se entre 2 e 4 m, verificadas em poços de observação entre 1973 e 1976.
Como pode ser observado nos Quadros 66 e 67 o Aqüífero Bauru é considerado moderadamente permeável, devido ao teor relativamente elevado de material argiloso e siltoso, esse comportamento genético do material rochoso condiciona as baixas vazões dos poços localizados nessa unidade hidrogeológica.
Na Figura 19 são apresentados o provável perfil geológico da formação Bauru e o perfil construtivo de um poço tubular profundo nesta formação.



FIGURA 19 - Perfil geológico (provável) da formação Bauru e o perfil construtivo 
                                        de um poço tubular profundo nesta formação.
 

13.3.3. Sistema Aqüífero Serra Geral
Os basaltos da formação Serra Geral constituem um aqüífero de extensão regional, porém com condições aqüíferas distintas restritas, definidas em função de descontinuidades (juntas, fraturas e falhas), e/ou pela presença de pacotes e arenitos inter derrames.
Os basaltos apresentam na região de Palmeira d’Oeste espessuras variando de 100 a 1.200 metros, sendo mais espessos no sentido da Calha do Rio Paraná. As transmissividades extremamente baixas na direção vertical, aliado à sua grande espessura, condicionam o basalto com substrato hidrogeológico do Aqüífero Bauru e camada confinante do Aqüífero Botucatu subjacente. Como o fluxo das águas subterrâneo ocorre essencialmente nas fraturas da rocha, as quais são usualmente descontínuas, os parâmetros hidráulicos do aqüífero (transmissividade, permeabilidade e porosidade) não possuem o mesmo significado que nos aqüíferos granulares, não servindo, portanto, para previsões de disponibilidade hídrica.

 13.3.4. Sistema Aqüífero Botucatu
Apresenta características de unidade hidrogeológica sedimentar, permeável por porosidade granular, com substrato formado pelas camadas argilosas do Grupo Passa Dois e mergulhos suaves no sentido Oeste.
Como visto anteriormente, a espessura dessa unidade varia entre 250 e 580 metros, com médias em torno de 350 a 400 metros. As recargas ocorrem principalmente nas áreas de afloramentos das formações, situadas a leste da Bacia hidrográfica do São José dos Dourados, induzindo ao fluxo das águas essencialmente na horizontal. As contribuições ou perdas por meio dos basaltos são bastante restritas, resultando em altas pressões de confinamento, capazes de gerar artesianismo em determinados locais. Na região de Palmeira d’Oeste não foram cadastrados nenhum poço profundo nessa unidade aqüífera. 
Vários autores recomendam que esse aqüífero seja considerado como reserva estratégica de água, inclusive em caráter continental, em função da sua extensão e potencialidade de exploração 48.000 km3, com recarga anual de 166 km3.ano-1.

 


 
 
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