A CARTILHA DE MIKE MCCURRY:
PORTA VOZ DE BILL CLINTON


 

Notícia ruim para o governo é dada com exclusividade para um veículo impresso para esvaziar o impacto da TV.
Notícia boa é dada com exclusividade para uma das redes de TV.
Documentos comprometedores que podem ser requeridos por uma CPI são passados antes para um jornalista da mídia impressa.
Quando há assuntos incômodos, a conversa diária é aberta por um convidado para tratar de algum tema positivo e "cansar" os jornalistas.
Jornalista que veicula material considerado injusto pode ser "punido" com escassez de informações exclusivas.
Veículo que dá material considerado "injusto" pode ser "punido" com a perda de exclusivas.
Jornalista considerado "justo", ainda que não necessariamente amigo, ganha conversas de "background" com o presidente.

Um dia típico do porta voz

3:30hs - Acorda e lê os jornais do dia;
7:45hs - Reunião diária com principais assessores de Clinton;
9:00hs - Reunião diária com a equipe da assessoria (14 pessoas);
9:15hs - Conversa informal com jornalista (sem câmaras de TV);
10:00hs - Isola-se de todos, num local secreto (menos para dois guardas, caso o presidente queira acioná-lo) para pensar e ler;
12:30hs - Teleconferência diária com os assessores de imprensa do Pentágono, do Departamento de Estado e da CIA;
14:00hs - Sempre que necessário, fala com Clinton para esclarecer dúvidas;
14:30hs - Encontro oficial diário com jornalistas (com câmeras de TV) Resto da tarde - Contatos telefônicos e pessoais com jornalistas;
18:30hs - Assiste aos telejornais;
22:30hs - Quando se sabe que material negativo vai ser publicado, lê a primeira edição do "Washington Post" e a discute com Clinton;

Fonte: "Spin Cycle", de Howard Kurtz, publicado na Folha de São Paulo