10. SUSCETIBILIDADE À
EROSÃO DAS TERRAS E POTENCIALIDADE À IRRIGAÇÃO
O município de Palmeira
d’Oeste situa-se na subclasse Ia da classe Muita Alta Suscetibilidade à
Erosão (IPT, 1995), que se caracteriza geologicamente pelo predomínio
de arenitos da Formação Adamantina do Grupo Bauru (Bacia
do Paraná), geomorfologicamente por relevo ondulado de colinas médias
e, pedologicamente, pela ocorrência de Podzólico Vermelho
amarelo, textura arenosa/média. Tais características podem
levar ao desenvolvimento de voçorocas de drenagem, voçorocas
de encostas, ravinas, sulcos freqüentes e erosão laminar intensa.
A conseqüência imediata destes processos são os assoreamentos
dos cursos d’água e, logicamente, a escassez dos recursos hídricos.
Logo, um plano de conservação do solo se faz necessário,
a fim de permitir o uso intensivo das terras com a agricultura irrigada,
a fim de adequar o uso à preservação dos recursos
naturais solo e água.
Isto posto, este trabalho
se preocupou também com os aspectos conceituais do processo de erosão.
10.1. Erosão: Conceitos Gerais
A erosão é
o processo de desagregação e remoção das partículas
sólidas do solo ou de fragmentos e partículas de rochas,
devido à ação combinada da gravidade com a água,
o gelo e/ou os organismos vivos (plantas e animais). A superfície
da terra é coberta por solos, que são formados por um processo
permanente de alteração das rochas e transformação
pedogenética comandados por agentes físicos, químicos
e orgânicos. Este processo, que se deu ao longo de centenas de anos,
é contrabalançado pela erosão, causando a remoção
das partículas constituintes do solo. Neste quadro de equilíbrio
na natureza, entre os processos de formação e remoção
dos solos, a erosão é considerada erosão normal. Entretanto,
este equilíbrio pode ser rompido pela intensificação
da erosão. Nesta situação, os processos de formação
do solo não conseguem superar os processos de degradação,
e a erosão é considerada erosão acelerada. Se ela
for desencadeada por alterações das condições
geológicas ou climáticas, ocorre ao longo de milhares de
anos. No entanto, a erosão acelerada provocada pelo homem ocorre
em poucos anos: é a erosão antrópica; extremamente
prejudicial ao meio ambiente.
A erosão antrópica
pode ser de três tipos: laminar; em sulcos e/ou ravinas; ou por voçorocas.
Erosão laminar é o processo de lavagem da superfície
do terreno com transporte das partículas sólidas do solo.
Inicia-se com a desagregação destas partículas pela
energia das gotas de chuva. Estando livres, são facilmente carreadas
pelo escoamento superficial da água, formado pelo ajuntamento das
gotas de chuva que caem sobre a superfície do terreno. No caso da
erosão laminar, o escoamento superficial distribui-se homogeneamente
pelo terreno. Quando há concentração do escoamento
superficial, as gotas de chuva juntam-se num volume grande de água
formando as enxurradas, que por apresentarem alta energia de transporte,
geram sulcos no terreno ou até ravinas. Estas ravinas podem aprofundar-se
até encontrar o nível freático. A partir deste momento,
configura-se a voçoroca.
A voçoroca é
o estágio mais avançado e complexo de erosão (ver
Fotos 60 a 62), cujo poder destrutivo
local é superior ao das outras formas de erosão, e portanto,
de mais difícil contenção. Além da erosão
superficial, associa-se um processo de erosão interna (“piping”)
provocada pela concentração de água do nível
freático, que se caracteriza pelo avanço para o interior
do solo na forma de tubos (“entubamento”). Os vazios destes tubos, ao se
tornarem significativos, originam colapsos do terreno, com desabamentos
que alargam a voçoroca ou criam novos ramos. Durante os processos
de erosão interna, ocorrem os descalçamentos e solapamentos
da base das paredes da voçoroca, provocando desmoronamentos e escorregamentos
de solos.
Assim, o controle do processo
erosivo, durante a sua fase “primária”, ou seja enquanto erosão
laminar, é fundamental quando se deseja utilizar a terra, seja para
fins agrícolas, urbanos, industriais, lazer, reservatórios,
etc. Tal controle deve ter como princípio minimizar o impacto das
gotas das chuvas e a energia da água no processo de escoamento superficial.
Senão, pode-se gerar a voçoroca, a forma de erosão
de elevado poder destrutivo. Suas dimensões podem atingir até
dezenas de metros de largura e profundidade, com várias centenas
de metros de comprimento. A tais dimensões, alia-se grandes velocidades
de avanço. A rápida evolução de seus ramos
ativos podem atingir edificações, estradas e obras públicas.
As causas da erosão
acelerada são função de fatores antrópicos
e naturais. Como fatores antrópicos têm-se o uso e ocupação
irracional do solo: desmatamentos, cultivos inadequados, estradas mal planejadas,
expansão urbana desordenada. Sobre este cenário “catastrófico”
formado pela ação antrópica, atuarão os fatores
naturais chuva, relevo, solos, rocha e vegetação, que controlarão
a intensidade do processo erosivo. Enfim, as principais conseqüências
da erosão acelerada são a destruição de terras
cultiváveis, de equipamentos urbanos e obras civis, e o assoreamento
de reservatórios e cursos d’água.
10.2. A Erodibilidade dos Solos na Área
de Estudo
A erodibilidade do solo
pode ser entendida como sendo a suscetibilidade à erosão
devida às propriedades do próprio solo. Trata-se de um parâmetro
importante na previsão da erosão e planejamento do uso da
terra. Depende principalmente da capacidade de infiltração
de água no solo, da resistência ao desprendimento e transporte
das partículas sólidas do solo pelo escoamento superficial.
Boyoucos (1935) relacionou
a erodibilidade ao tamanho das partículas sólidas e à
estabilidade dos agregados do solo. Assim, a erodibilidade tende a aumentar
quando os teores de areia muito fina e silte são elevados, e a diminuir,
com a elevação dos teores de argila e matéria orgânica
(Wischmeier e Smith, 1958). As argilas comportam-se como elemento agregante
do solo, devido à sua alta atividade eletro-química. A areia
é transportada com dificuldade devido ao seu peso. Por outro lado,
o silte é a porção textural mais suscetível
aos agentes erosivos, pois não possui nem a característica
agregante da argila, nem o peso da areia.
Considerando somente a granulometria,
Rezende e Rezende (1983) citam que o solo será mais resistente à
erosão quanto melhor for a combinação dos fatores
condutividade hidráulica e estabilidade dos agregados. No entanto,
estas propriedades têm efeitos inversamente proporcionais, pois solos
menos coerentes são os que apresentam maior taxa de infiltração,
e vice-versa. Isto é, se deve à distribuição
dos tamanhos dos poros do solo. Nos solos pouco coerentes, como os de textura
arenosa, há uma grande quantidade de macroporos (poros maiores que
50 mm),
os quais são responsáveis pela infiltração
da água no perfil do solo. Nos solos coerentes, de textura argilosa,
há alta quantidade de microporos, favorecendo a retenção
e armazenagem de água no solo. Nota-se porém, que o arranjo
interagregado de solos argilosos favorece a manutenção de
altos valores de condutividade hidráulica e a alta resistência
à erosão, como é o caso do Latossolo Roxo.
A análise da erodibilidade
dos solos que predominam nas Bacias Hidrográficas dos Córregos
Sucuri, Bacuri e Macumã baseou-se na Razão Textural (equação
1), proposta por Bertoni (1978), e no Índice de Boyoucos Modificado
(1989), expressos a seguir:
Razão textural = Média
da porcentagem de argilas no Horizonte B (excluindo B3) .....(1)
Média da porcentagem de argilas de todo Horizonte A
Índice de Boyoucos
= % de areia + % de silte .................................................(2)
% de argila
No Quadro 29 são apresentados
os valores dos índices de erodibilidade para os perfis representativos
dos solos que predominam nas bacias hidrográficas estudadas.
10.3. A Resistência dos Solos
à Erosão na Área de Estudo
A análise dos solos
quanto a suscetibilidade à erosão baseou-se em metodologia
citada por Betolini et al (1994) que enquadra os solos em 4 (quatro) grupos
de resistência à erosão, levando-se em consideração
a profundidade, a permeabilidade e a textura das camadas superficial e
subsuperficial, as quais correspondem aos principais atributos que influenciam
na erodibilidade e a infiltração da água no perfil
do solo. Esta classificação, apresentada no Quadro 30, permite
a definição de uma série de decisões para a
implantação de práticas mecânicas de conservação
do solo.
O Grupo A corresponde
a solos com alta taxa de infiltração, mesmo quando saturados,
e com alto grau de resistência e tolerância à erosão.
São normalmente profundos ou muito profundos, porosos, com baixo
gradiente textural (relação textural menor que 1,2), de textura
média, argilosa ou mesmo muito argilosa. A alta quantidade de macroporosidade
em todo o perfil resulta em solos bem drenados a excessivamente drenados.
Assim, as permeabilidades das camadas superficial e subsuperficial são
rápidas, ou pelo menos moderada na camada superficial e rápida
na subsuperficial.
No Grupo B encontram-se
solos com moderada taxa de infiltração, mesmo quando saturados,
ou com alta taxa de infiltração, mas com moderada resistência
e tolerância à erosão. São normalmente profundos,
com relação textural entre 1,20 e 1,50. As permeabilidades
das camadas superficial e subsuperficial devem ser rápida e moderada
ou rápida e rápida, respectivamente.
Os solos do Grupo C
apresentam baixa taxa de infiltração, e baixa resistência
e tolerância à erosão. São normalmente profundos
ou moderadamente profundos, com relação textural maior que
1,5, comumente apresentado mudança textural abrupta. As permeabilidades
das camadas superficial e subsuperficial devem ser lenta e moderada, lenta
e rápida ou rápida e moderada, respectivamente.
Finalmente, o Grupo D
agrupa solos com taxa de infiltração muito baixa, e com muito
baixa resistência e tolerância à erosão. Normalmente
são rasos e/ou permeáveis, ou com mudança textural
abrupta aliada a argila de alta atividade (Ta) ou ainda com camada de impedimento
à infiltração de água (piçarra, fragipã,
etc.). Os valores de permeabilidade das camadas superficial e subsuperficial
são lenta e lenta ou rápida e lenta, respectivamente.
Os valores das permeabilidades
dos horizontes superficiais e subsuperficiais foram determinados através
dos ensaios de condutividade hidráulica saturada, conforme metodologia
citada em Klute (1986). Este parâmetro foi determinado somente para
os Podzólicos, pois predominam em praticamente toda a área
estudada (93%).
QUADRO 29 - Índices de erodibilidade
relacionados ao solos predominantes na área.
|
Classes de Solo
|
Área
|
Perfil
|
Hori-zonte
|
Granulometria
|
Relação Textural
|
Índice de Boyoucos
|
|
Km2
|
%
|
Areia
|
Silte
|
Argila
|
|
Vermelho Escuro, textura arenosa/média
|
70,87
|
91,9
|
PO-1
|
Ap
|
79
|
8
|
13
|
1,62
|
6,7
|
|
Bt
|
71
|
8
|
21
|
3,8
|
|
PO-2
|
Ap
|
81
|
9
|
10
|
2,4
|
9,0
|
|
Bt
|
70
|
6
|
24
|
3,2
|
|
PO-3
|
Ap
|
85
|
4
|
11
|
2,09
|
8,1
|
|
Bt
|
70
|
7
|
23
|
3,3
|
|
PO-7
|
Ap
|
81
|
6
|
13
|
1,62
|
6,7
|
|
Bt
|
72
|
7
|
21
|
3,8
|
|
PO-8
|
Ap
|
78
|
10
|
12
|
1,92
|
7,3
|
|
Bt
|
68
|
10
|
23
|
3,4
|
|
PO-9
|
Ap
|
84
|
6
|
10
|
2,0
|
9,0
|
|
Bt
|
70
|
10
|
20
|
4,0
|
|
PO-10
|
Ap
|
78
|
8
|
14
|
1,79
|
6,1
|
|
Bt
|
66
|
9
|
25
|
3,0
|
|
PO-13
|
Ap
|
81
|
6
|
13
|
1,77
|
6,7
|
|
Bt
|
71
|
6
|
23
|
3,3
|
|
PO-14
|
Ap
|
81
|
6
|
13
|
1,92
|
6,7
|
|
Bt
|
69
|
6
|
25
|
3,0
|
|
PO-15
|
Ap
|
83
|
6
|
11
|
2,54
|
8,1
|
|
Bt
|
67
|
5
|
28
|
2,6
|
|
PO-16
|
Ap
|
77
|
10
|
13
|
2,31
|
6,7
|
|
Bt
|
63
|
7
|
30
|
2,3
|
|
PO-19
|
Ap
|
80
|
6
|
14
|
1,71
|
6,1
|
|
Bt
|
69
|
7
|
24
|
3,2
|
|
PO-20
|
Ap
|
81
|
7
|
12
|
1,83
|
7,3
|
|
Bt
|
69
|
9
|
22
|
3,5
|
|
Podzólico Vermelho Escuro,
textura média/média
|
PO-5
|
Ap
|
71
|
12
|
17
|
1,47
|
4,9
|
|
Bt
|
65
|
10
|
25
|
3,0
|
|
Podzólico Vermelho Amarelo,
textura arenosa/média
|
0,89
|
1,15
|
PO-4
|
Ap
|
82
|
7
|
11
|
2,0
|
8,1
|
|
Bt
|
70
|
8
|
22
|
3,5
|
|
PO-17
|
Ap
|
82
|
6
|
12
|
2,08
|
7,3
|
|
Bt
|
68
|
7
|
25
|
3,0
|
|
PO-18
|
Ap
|
78
|
8
|
14
|
1,71
|
6,1
|
|
Bt
|
72
|
4
|
24
|
3,2
|
|
Podzólico Vermelho Amarelo,
textura média/média
|
PO-12
|
Ap
|
75
|
6
|
19
|
1,53
|
4,3
|
|
Bt
|
65
|
7
|
29
|
2,5
|
|
Latossolo Vermelho Escuro,
textura média
|
0,69
|
0,90
|
PO-11
|
Ap
|
76
|
7
|
17
|
1,23
|
4,9
|
|
Bt
|
73
|
6
|
21
|
3,8
|
|
PO-21
|
Ap
|
75
|
8
|
17
|
1,29
|
4,9
|
|
Bt
|
71
|
7
|
22
|
3,5
|
|
Bt
|
74
|
7
|
19
|
4,3
|
QUADRO 30 - Classificação
dos solos quanto à resistência à erosão.
| GRUPO |
Grupo de resistência
à erosão
|
Principais características
|
|
Profundidade
|
Permeabilidade
|
Textura
|
Razão textural
|
Índice K
|
|
A
|
Alto
|
Muito profundo (> 2m) ou profundo
(1 a 2m)
|
Rápida/rápida
Moderada/rápida
|
Média/média; Média
argilosa/média argilosa; Argilosa/argilosa
|
< 1,2
|
1,25
|
|
B
|
Mode-
rado
|
Profundo (1 a 2m)
|
Rápida/rápida
Moderada/rápida
|
Arenosa/arenosa; Arenosa/média;
Arenosa/argilosa; Média/argilosa; Argilosa/média argilosa
|
1,2 a 1,5
|
1,10
|
|
C
|
Baixo
|
Profundo (1 a 2m) a moderadamente
profundo (0,5 a 1m)
|
Lenta/rápida
Lenta/moderada
Rápida/moderada
|
Arenosa/média; Arenosa/argilosa;
Média/argilosa; Argilosa/média argilosa
|
> 1,5
|
0,90
|
|
D
|
Muito baixo
|
Moderadamente profundo (0,5 a
1m) a raso (0,25 a 0,50m)
|
Rápida, moderada ou lenta
sobre lenta
|
Muito variável
|
Muito variável
|
0,75
|
Com base nos índices
de erodibilidade (Quadro 29) dos solos que predominam nas bacias hidrográficas
estudadas, nos atributos e características dos solos relacionadas
aos Grupo de Resistência à Erosão (Quadro 30), nas
características físicas e hídricas dos Podzólicos
(Quadros 31 e 32), nas descrições morfológicas dos
perfis dos solos e nos demais dados do meio físico das bacias hidrográficas
dos córregos Sucuri, Bacuri e Macumã, conclui-se que:
·
As terras em que predominam os Podzólicos Vermelho Escuro e Vermelho
Amarelo, textura arenosa/média e média/média, apresenta
baixa resistência à erosão (Grupo C), pois os valores
da relação textural são maiores que 1,5. Estas terras
ocupam 71,8 km2 ou 93% da área total das Bacias Hidrográficas
dos Córregos Sucuri, Bacuri e Macumã. Localmente podem ocorrer
Podzólico Vermelho Escuro, textura média/média com
relação textural menor que 1,5, isto é, com moderada
resistência á erosão (Grupo B).
·
O Índice de Boyoucos mostra que tanto os horizontes A e Bt dos podzólicos
são erodíveis, pois apresentam valores acima de 1,78, que
corresponde ao valor do índice para um solo argiloso (com 36% de
argila). Porém, nota-se que os Horizontes A dos Podzólicos
apresentam suscetibilidade à erosão muito maior que os seus
horizontes subsuperficiais Bt;
·
Os Latossolo Vermelho Escuro, textura média estão enquadrados
no Grupo B de solos com moderada resistência à erosão,
pois apresentam relação textural média igual a 1,26.
Porém, apresentam elevados valores de Índice de Boyoucos,
o que lhes conferem moderada a alta suscetibilidade aos processos erosivos.
Ocupam menos de 1% da área total estudada ou 0,69 km2.
QUADRO 31 - Propriedades físico-hídricas
e índices de erodibilidade de Podzólico
vermelho Escuro, A fraco, textura
arenosa/média.
|
P606
Horizonte: Profundidade (cm)
|
Densidade do Solo (g/cm3)
|
Granulometria (%)
|
Razão textural
|
Índice de Boyoucos
|
Condutividade Hidráulica
Saturada (mm/h)
|
|
Areia
|
Silte
|
Argila
|
|
Ap: 0-30
|
1,58
|
84
|
6
|
10
|
1,74
|
9,0
|
28,98
|
|
Bt/Ap: 30-55
|
1,59
|
80
|
7
|
13
|
6,7
|
16,56
|
|
Bt: 55-150+
|
1,48
|
70
|
10
|
20
|
4,0
|
18,22
|
QUADRO 32 - Propriedades físico-hídricas
e índices de erodibilidade de Podzólico
vermelho Escuro, A fraco, textura
arenosa/média.
|
P607
Horizonte: Profundidade (cm)
|
Densidade do Solo (g/cm3)
|
Granulometria (%)
|
Razão textural
|
Índice de Boyoucos
|
Condutividade Hidráulica
Saturada (mm/h)
|
|
Areia
|
Silte
|
Argila
|
|
Ap: 0-25
|
1,42
|
81
|
7
|
12
|
1,76
|
7,3
|
110,12
|
|
Bt/Ap: 25-50
|
1,38
|
79
|
8
|
13
|
6,7
|
133,31
|
|
Bt: 50-150+
|
1,45
|
69
|
9
|
22
|
3,5
|
52,16
|
10.4. Suscetibilidade à Erosão
Laminar
O sistema de Capacidade
de Uso tem o propósito de agrupar as terras que se apresentam homogêneas
quanto às potencialidades e limitações ao uso agrícola,
através de análise integrada do solo, relevo e erosão,
resultando em 8 classes. A classe I agrupa as terras que têm nenhuma
ou somente muito pequena limitação permanente e risco à
degradação, sendo aptas ao uso com culturas anuais, perenes,
pastagens, reflorestamentos e vida silvestre. Nas classes subsequentes
II, III, IV, V, VI, e VII, a intensidade dos fatores limitantes à
utilização para fins agrícolas passa a aumentar, culminando
na classe VIII, que agrupa terras impróprias para qualquer tipo
de cultivo comercial, devendo ser mantida como área de preservação
ambiental. Para cada classe são recomendadas práticas de
melhoramento e de conservação do solo. A maior ou menor complexidade
destas práticas é definida pela subclasse à qual pertence
o solo.
As terras da área
estudada apresentam principalmente três fatores limitantes, expressos
nas subclasses de Capacidade de Uso da seguinte forma: e, quando
existe erosão ou há risco de que ocorra; a, quando
há problemas de encharcamento; e s, quando há limitação
do solo (Lepsch, 1991).
Assim, a Classificação
das Terras no Sistema de Capacidade de Uso tem como base a suscetibilidade
dos solos à erosão laminar. Conforme DAEE (1990), o Mapa
de Suscetibilidade pode ser obtido pela integração dos Mapas
de Erodibilidade e de Declividade, enquanto que o Mapa de Erodibilidade
pode ser obtido relacionando-se os solos aos Grupos de Resistência
à Erosão definidos por Bertoni (1978).
O Quadro 33 apresenta as
Classes de Suscetibilidade à erosão geradas à partir
da integração da erodibilidade dos solos e das classes declividades
dos terrenos. Às classes de suscetibilidade estão relacionadas
as classes de Capacidade de Uso. As classes I, II, III, IV e V correspondem
a aqueles solos com muito alta, alta, moderada, baixa e nula suscetibilidade
à erosão, respectivamente.
De acordo com o Quadro 33
a subclasse VIe de Capacidade de Uso equivale à classe I de suscetibilidade
à erosão; a subclasse IVe de Capacidade de Uso, à
classe II de suscetibilidade à erosão ; a subclasse IIIe
de Capacidade de Uso, à classe III; as subclasses IIe e IIes, à
classe IV; e finalmente, a subclasse Va, à classe V.
QUADRO 33 - Classes de suscetibilidade
à erosão gerados a partir da integração da
resistência dos solos à erosão e da declividade dos
terrenos, bem como as correlações com o Sistema de Capacidade
de Uso.
|
Solos
|
Resistência à
erosão
|
CLASSES DE DECLIVIDADE
|
|
A (0-3%)
|
B (3-6%)
|
C (6-12%)
|
D (12-20%)
|
E (>20%)
|
|
CLASSES DE SUSCETIBILIDADE
À EROSÃO
(Subclasses de Capacidade de Uso
das Terras)
|
|
Podzólico Vermelho Escuro,
textura arenosa/média
|
Baixa
|
IV
(IIes)
|
III
(IIIe)
|
II
(IVe)
|
I
(VIe)
|
I
(VIe)
|
|
Podzólico Vermelho Amarelo,
textura arenosa/média
|
Baixa
|
-
|
III
(IIIe)
|
II
(IVe)
|
I
(VIe)
|
I
(VIe)
|
|
Latossolo Vermelho Escuro, textura
média
|
Moderado
|
IV
(IIe)
|
III
(IIIe)
|
-
|
-
|
|
|
Hidromórfico
|
Alta
|
V
(Va)
|
V
(Va)
|
-
|
-
|
-
|
O Quadro 34 apresenta as áreas
ocupadas pelas classes de suscetibilidade à erosão predominantes
nas bacias hidrográficas estudadas.
QUADRO 34 - Áreas das classes
de suscetibilidade à erosão.
|
Classes de Suscetibilidade
à Erosão
|
Subclasses de Capacidade de
Uso
|
Área (km2)
|
%
|
|
V
|
Va
|
4,67
|
6,06
|
|
IV
|
IIs
|
0,10
|
0,13
|
|
IV
|
IIes
|
3,81
|
4,94
|
|
III
|
IIIe
|
38,22
|
49,56
|
|
II
|
IVe
|
27,71
|
35,93
|
|
I
|
VIe
|
2,61
|
3,38
|
Do Quadro 34 nota-se que
a maioria das terras das bacias hidrográficas (cerca 50%) apresenta
moderada suscetibilidade à erosão (III); correspondem aos
Podzólicos Vermelho Escuro e Vermelho Amarelo e Latossolo Vermelho
Escuro dispostos em terrenos com declividades entre 3 e 6% (Classe B).
As terras com alta suscetibilidade (II) à erosão ocupam 36%
da área total estudada, às quais se referem aos Podzólicos
Vermelho Escuro e Vermelho Amarelo dispostos em terrenos com declividades
entre 6 a 12% (Classe C). 4% dos Podzólicos dispõem-se em
declividades maiores que 12%, formando a classe I de suscetibilidade à
erosão. Os Podzólicos e o Latossolo dispostos em declividades
menores que 3%, bem como os Hidromórficos em relevo de agradação,
correspondem às classes IV e V de suscetibilidade à erosão,
e ocupam 11% área total estudada.
10.5. Mapa de Potencial à Erosão
Laminar
Conforme Bertoni e Lombardi
(1985), embora alguns solos sejam mais erodíveis que outros, é
oportuno lembrar que a quantidade de solo perdida pela erosão que
ocorre em dadas condições, é influenciada não
somente pelo próprio solo, mas pelo tratamento ou manejo que recebe;
um solo pode perder, por exemplo, 200 toneladas por hectare e por ano quando
usado com culturas anuais plantados morro abaixo em terreno com grande
declividade, enquanto o mesmo solo, com uma pastagem bem planejada, perderia
somente alguns quilogramas por hectare. A diferença em erosão
causada por diferentes sistemas de manejo para o mesmo solo é muito
maior que a diferença de erosão de diferentes solos com o
mesmo manejo.
O Mapa de Potencial à
Erosão Laminar (Folha 6) representa o risco
à erosão laminar a que está sujeita uma gleba de terra
quando ocupada e manejada pelo homem, e expressa a discrepância entre
o uso e ocupação e a vocação natural da gleba,
ou seja, a sua capacidade de uso (IPT, 1990). O confronto entre os Mapas
de Capacidade de Uso e de Uso e Ocupação possibilita analisar
se as terras estão sendo utilizadas adequadamente, isto é,
conforme o seu potencial ao uso agrícola. O produto deste confronto
é o Mapa de Potencial à Erosão Laminar.
Assim, as terras das bacias
hidrográficas estudadas foram agrupadas nas classes de muito alto
(MA), alto (A), moderado (M), baixo (B) e muito baixo (MB) potencial à
erosão laminar, conforme apresentado no Quadro 35.
No Quadro 36 apresentam-se
as áreas ocupadas por cada classe de risco à erosão,
bem como a relação percentual relativo à área
total de estudo.
QUADRO 35 - Potencial à erosão
laminar.
|
Sub-classes de capacidade de
uso das terras
|
CLASSES DE OCUPAÇÃO
E USO DO SOLO
|
|
Culturas anuais, perenes, semi-perenes
|
Pastagem
|
Cana de açúcar
|
Mata
|
Outros usos
|
|
IIe
|
B
|
MB
|
M
|
MB
|
A
|
|
IIes
|
B
|
MB
|
M
|
MB
|
A
|
|
IIIe
|
M
|
B
|
A
|
MB
|
A
|
|
Ive
|
A
|
B
|
A
|
B
|
MA
|
|
Va
|
-
|
B
|
-
|
MB
|
MA
|
|
Vie
|
MA
|
M
|
MA
|
B
|
MA
|
QUADRO 36 - Área ocupadas
pelas classes de potencial à erosão laminar.
|
POTENCIAL À EROSÃO
LAMINAR
|
ÁREA
|
|
km2
|
%
|
|
Muito baixo
|
3,82
|
4,96
|
|
Baixo
|
65,54
|
85,10
|
|
Moderado
|
6,09
|
7,91
|
|
Alto
|
1,36
|
1,77
|
|
Muito Alto
|
0,04
|
0,06
|
|
Espelhos d’água
|
0,16
|
0,21
|
Do Quadro 36 pode-se concluir
que a maior parte da área estudada (90%) tem as terras utilizadas
de forma adequada à sua capacidade de uso, ou seja, à sua
vocação agrícola. Isto se deve ao fato, da maior parte
das terras (85%) estarem ocupadas pela pastagem. Porém, essa situação
só é válida desde que o estado de conservação
e fertilidade dessa pastagem esteja adequado. No caso de pastagens degradadas,
o potencial à erosão laminar é acentuado, principalmente
nos cruzamentos de trilhas de gado. Nesses locais, há sempre indícios
de início de processos de ravinamento, principalmente quando os
solos apresentam gradiência textural entre os horizontes A e B.
10.6. Aptidão das Terras à
Irrigação
A aptidão das terras
para uso com agricultura irrigada pode ser determinada através do
Sistema de Classificação das Terras para Irrigação
proposta pelo “Bureau of Reclamation” dos Estados Unidos da America-USA.
Em geral, o sistema de classificação do “Bureau of Reclamation”
baseia-se na economia de produção e nos custos de desenvolvimento
da terra. Classes de terras similares de projetos diferentes podem ter
níveis de retorno econômico diversos. Porém, terras
da mesma classe, num projeto específico, devem estar contidas aproximadamente
na mesma faixa de retorno econômico, mesmo que as características
físicas das terras possam diferir.
Esta metodologia foi adaptada
para subsidiar o planejamento de projetos públicos de irrigação
brasileiros e, sendo assim, têm como premissa o parcelamento das
terras em lotes agrícolas com traçados geométricos
definidos e apropriados ao desenvolvimento sócio econômico
local. Entretanto, este estudo prevê o estabelecimento de projetos
de irrigação em propriedades privadas de pequeno e médio
porte, sem a alteração da estrutura fundiária; ou
seja, não haverá aplicação de reforma agrária.
Os custos dos projetos coletivos ou individuais de irrigação
on-farm serão de responsabilidade do agricultor ou do empresário.
Assim, a seleção
das áreas para estabelecimento de prováveis projetos de irrigação
foi determinada pelo tipo de solo, pela declividade dos terrenos e pelo
uso e ocupação atual das terras.
O levantamento de solos
e o estudo da declividade permite a classificação das terras
no Sistema de Capacidade de Uso (Lepsch, 1991). Esta classificação
foi realizada e o Quadro 37 apresenta o resultado desta classificação,
bem como a área ocupada por cada subclasse de capacidade de uso.
QUADRO 37 - Resultado da classificação
das terras no Sistema de Capacidade de Uso.
|
Classes e subclasses de Capacidade
de Uso
|
Área (hectares)
|
%
|
|
II
|
Iis
|
10
|
0,13
|
|
Iies
|
381
|
4,94
|
|
III
|
IIIe
|
3.822
|
49,56
|
|
IV
|
Ive
|
2.771
|
35,93
|
|
V
|
Va
|
467
|
6,06
|
|
VI
|
Vie
|
261
|
3,38
|
|
TOTAL
|
7.712
|
100,00
|
10.6.1. Relação
entre as “Classes de Terras para Irrigação” e as Classes
e Subclasses de Capacidade de Uso das Terras.
As classes e subclasses
de Capacidade de Uso foram relacionadas às classes de irrigação
do “Bureau of Reclamation”, que identificam:
a) as terras aráveis,
conforme a aptidão para irrigação;
b) terras não aráveis,
isto é, não aptas à irrigação; e
c) terras que merecem um
detalhamento de estudo (classe provisória) ou de uso especial.
10.6.1.1. Classe 1 de Terra
para Irrigação: equivalente a subclasse IIs e IIes de Capacidade
de Uso
São as mais aptas
para irrigação na área específica do estudo.
As terras de classe 1 são mapeadas, exceto quando somente uma designação
entre classes arável e não arável for designada. Em
geral, estas terras são bastante adequadas para agricultura irrigada,
sendo capazes (em padrão de cultivos diversificados: grãos,
forrageiras, olericulturas, fruticultura) de fornecer e sustentar produções
relativamente altas de ampla faixa de culturas climaticamente adaptadas,
a um custo razoável; ou em áreas de culturas específicas,
manter altas produções de cultura específica adaptada.
Estas terras podem ser pronta e eficientemente irrigadas tanto por aspersão
como por irrigação localizada, não se recomenda a
irrigação superficial em função do processo
de sistematização do terreno. O solo deve ser física
e quimicamente corrigido para adequar-se à produção
das culturas do projeto. A capacidade de retenção de água
do solo é adequada. O solo está livre de sais solúveis
ou, havendo sais presentes, poderão ser facilmente lixiviados. Os
efeitos da erosão devem ser minimizados adotando-se um manejo racional
da irrigação, e o desenvolvimento da terra pode ser realizado
a um custo relativamente baixo. Estas terras devem fornecer altas rendas
líquidas para cada ha irrigado.
10.6.1.2. Classe 2 de Terra
para Irrigação: equivalente a subclasse IIIe de Capacidade
de Uso
São terras com aptidão
moderada para irrigação, sendo inferiores às da classe
1 em capacidade produtiva e/ou exigindo custos mais altos para preparo,
irrigação e cultivo. Estas terras geralmente são tão
requisitadas
ou valiosas quanto as de classe 1.
Geralmente, as terras desta
classe quando comparadas com as terras da classe 1, têm solos com
menor capacidade de retenção água, ou menor permeabilidade
ao ar, água e raízes, podendo ser moderadamente salino sob
irrigação, o que pode limitar a produtividade e envolver
custos maiores de lavagem. Limitações topográficas
podem incluir superfície irregular, que exija custos maiores para
evitar processos de erosão laminar. Assim sendo, as terras desta
classe devem ser preferencialmente irrigados por métodos de irrigação
de alta eficiência de aplicação de água (microaspersão
e gotejamento), e ser cultivados com fruticultura ou cafeicultura, a irrigação
por aspersão mecanizada adequada e projetada também pode
ser utilizada.
São terras com necessidades
simples de correção do solo, a fim de manter a alta fertilidade
do solo. Apresenta capacidade de pagamento intermediária.
10.6.1.3. Classe 3 de Terra
para Irrigação: equivalente a subclasse IVe de Capacidade
de Uso
São consideradas
terras aráveis de baixa categoria. As terras desta categoria são
aptas ao desenvolvimento sob irrigação, porém possuem
apenas os requerimentos mínimos, pois podem apresentar deficiências
graves de solo, topografia ou drenagem. As terras dessa classe apresentam
menor capacidade produtiva, maiores custos de produção e
de desenvolvimento, ou qualquer combinação desses fatores
em relação a classe anterior. Embora maiores riscos envolvam
a sua utilização em agricultura irrigada, quando comparadas
às classes de terras anteriores (1 e 2), estima-se que estas terras
possuam adequada capacidade de pagamento para atender os custos para o
estabelecimento de projetos de irrigação baseada em sistema
localizada (microaspersão e gotejamento) e em fruticultura ou cafeicultura.
10.6.1.4. Classe 4 de Terra
para Irrigação: não há subclasse de Capacidade
de Uso equivalente na área de estudo
As terras desta classe podem
ter certas deficiências excessivas, que resultam numa utilização
restrita para agricultura irrigada. Podem ser similares às terras
de outras classes aráveis, mas apresentam deficiências mais
severas ou em maior número de restrições. Tais características
proporcionam menor rendimento, custo de produção e de desenvolvimento
mais elevado ou combinações destes, tornando-as mais restritivas
para irrigação que as terras de classe 3. Recomenda-se que
essa classe seja utilizada na classificação em raras situações,
em que uma quarta classe de terra arável for necessária para
identificar e caracterizar adequadamente terras com arabilidade marginal.
Normalmente, nestas terras são irrigados cultivos especiais ou com
alto retorno econômico.
10.6.1.5. Classe 5 de Terras
para Irrigação: equivalente as subclasses VIe de Capacidade
de Uso.
A arabilidade das terras
incluídas nesta classe não pode ser determinada pelos métodos
de classificação de rotina; porém estas terras aparentam
possuir valor potencial suficiente para serem separadas para estudos especiais.
A designação em classe 5 é provisória, e normalmente
muda para uma classe arável apropriada ou para classe 6, após
completada a classificação. Se algum problema relacionado
com estas terras não for resolvido, deve-se assumir que elas são
não aráveis. Essas terras possuem deficiências específicas
ou seja, podem ter excessiva salinidade, topografia desfavorável,
drenagem inadequada, excessiva cobertura arbórea ou de rochas; ou
outras deficiências severas que exijam estudos especiais de agronomia,
economia ou engenharia para determinar a sua arabilidade. As terras da
classe 5 são separadas somente quando as condições
existentes na área exigem considerações de tais terras
para a competente avaliação das possibilidades de estabelecimento
de projetos de irrigação.
10.6.1.6. Classe 6 de Terras
para Irrigação: não há subclasse de Capacidade
de Uso equivalente na área de estudo
Inclui as terras que não
atingem os requisitos mínimos para pagar os custos para o estabelecimento
de projetos de irrigação. Em geral, compreende terras com
alto declive, acidentadas e irregulares, ou gravemente erodidas; com solos
de textura muito grossa ou fina, de pouca profundidade sobre cascalheira,
camada barrenta, duripan ou rocha; terras com perfil de drenagem inadequada,
e ou alta concentração de sais solúveis e sódio.
As terras classificadas como de classe 6 em uma área podem ser aráveis
sob condições climáticas mais favoráveis.
10.6.1.7. Classe de uso especial:
equivalente a subclasse Va de Capacidade de Uso
A classe de uso especial
para irrigação podem ser aptas para um uso específico
sob irrigação. Uso especial portanto, implica na utilização
de um método de irrigação específico para culturas
específicas, como o arroz inundado, ou várzea drenada com
cultivo de olerícolas irrigado por microaspersão ou gotejamento,
por exemplo.
10.6.2. Potencialidade
das Terras para Irrigação
Como explicitado, as áreas
com potencial para irrigação foram determinadas a partir
da análise integrada da Capacidade de Uso e do Uso e Ocupação
das Terras, pois o primeiro reflete a potencialidade natural das terras
ao desenvolvimento agrícola e o segundo, a situação
sócio econômica que atualmente prevalece na área de
estudo.
Assim, o Mapa de Potencialidade
das Terras para Irrigação (Folha 7)
foi obtido através do cruzamento dos Mapas de Capacidade de Uso
e de Uso e Ocupação das Terras. No Quadro 38, são
apresentadas as Classes de Terras para Irrigação relacionadas
às Subclasses de Capacidade de Uso das Terra, bem como, às
categorias de Uso e Ocupação das Terras, formando os Grupos
de Potencialidade das Terras à Irrigação
QUADRO 38 - Grupos de Potencialidades
das Terras à Irrigação.
|
SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO
|
CATEGORIAS DE USO E OCUPAÇÃO
DAS TERRAS
|
|
Classes de Terra para Irrigação
|
Subclasses de Capacidade de
Uso das Terras
|
Culturas anuais, perenes, semi-perenes
|
Pastagem
|
Cana de açúcar
|
Mata
|
Outros usos
|
| 1 |
IIe |
P1 |
P2 |
P3 |
NP |
NP |
| IIes |
P1 |
P2 |
P3 |
NP |
NP |
| 2 |
IIIe |
P1 |
P2 |
P3 |
NP |
NP |
| 3 |
IVe |
P2 |
P3 |
P3 |
NP |
NP |
| Uso especial |
Va |
NP |
NP |
NP |
NP |
NP |
| 5 |
VIe |
NP |
NP |
NP |
NP |
NP |
.Foram definidas os seguintes
Grupos de Terras com potencialidade para o estabelecimento de projetos
de irrigação:
ØP1:
Terras com muita alta potencialidade para o estabelecimento de projetos
de irrigação. Correspondem às terras das classes 1
e 2 de Terras para Irrigação, atualmente utilizadas por culturas
anuais, perenes e semi perenes em regime de sequeiro. Podem ser irrigadas
por qualquer tipo de sistema de irrigação (exceto irrigação
superficial - sulcos, tabuleiros, inundação etc.).
ØP2:
Terras com alta potencialidade para o estabelecimento de projetos de irrigação.
Correspondem às terras da classes 3 de Terras para Irrigação,
atualmente utilizadas por culturas anuais, perenes e semi perenes em regime
de sequeiro. Devem ser preferencialmente irrigadas por sistemas de irrigação
localizada. Agrupa também as terras das classes 1 e 2 de Terras
para Irrigação, atualmente utilizadas para pastagens. Podem
ser destinados ao desenvolvimento de fruticultura, grãos, cafeicultura,
olericultura, forrageiras, em regime de irrigação por sistemas
do tipo aspersão convencional ou mecanizada (pivô central
ou linear, autopropelido).
ØP3:
Terras com moderada potencialidade ao estabelecimento de projetos de irrigação.
Correspondem às terras das classes 1 e 2 de Terras para Irrigação,
atualmente utilizadas para o cultivo de cana de açúcar. A
moderada potencialidade à instalação de áreas
irrigadas advém do fato da ocupação do solo atual
ser a cana de açúcar. Pela própria história
socioeconômica recente sobre o uso da Terra, áreas cultivadas
com cana de açúcar não se transformam em áreas
irrigadas.
ØNP:
Terras
não potenciais ao estabelecimento de projetos de irrigação.
Correspondem às terras das classes 1, 2 e 3 de Terras para Irrigação
atualmente utilizadas por mata, pela ocupação urbana, ou
por obras civis. Também inclui as terras das classes 5 de Terras
para Irrigação e de uso especial.
No Quadro 39 têm-se
as áreas ocupadas por cada Grupo de Terras com potencialidade para
o estabelecimento de projetos de irrigação.
QUADRO 39 - Área ocupadas pelos
Grupo de Terras com potencialidade para o estabelecimento de projetos de
irrigação.
|
POTENCIALIDADE AO ESTABELECIMENTO
DE PROJETOS DE IRRIGAÇÃO
|
ÁREA
|
|
km2
|
%
|
| P1 |
4,54
|
5,89
|
| P2 |
37,97
|
49,31
|
| P3 |
24,72
|
32,10
|
| NP |
9,78
|
12,70
|
Nota-se que a maioria das
terras da área de estudo correspondem aos Grupos P2 e P3 de potencialidade
para o estabelecimento de projetos de irrigação.
10.7. Conclusões e Recomendações
Os estudos realizados sobre
o meio físico da área do projeto permite concluir que:
Ø
No que se refere ao meio físico, a potencialidade de desenvolvimento
da agricultura irrigada é de 4.251 hectares, isto é, 55,2%
do total das terras aráveis;
Ø
A agricultura irrigada a ser fomentada é a fruticultura perene ou
o café adensado, irrigado com sistema de irrigação
localizada;
A região possui problemas
com a erodibilidade dos solos, portanto o manejo das culturas nas Bacias
deverá ser conduzido de forma a oferecer a máxima proteção
ao solo, através de cobertura vegetal ou morta e do aumento da capacidade
de infiltração de água no solo.
Ø
No que se refere ao meio físico, a potencialidade de desenvolvimento
da agricultura irrigada é de 4.251 hectares, isto é, 55,2%
do total das terras aráveis;
Ø
A agricultura irrigada a ser fomentada é a fruticultura perene ou
o café adensado, irrigado com sistema de irrigação
localizada;
A região possui problemas
com a erodibilidade dos solos, portanto o manejo das culturas nas Bacias
deverá ser conduzido de forma a oferecer a máxima proteção
ao solo, através de cobertura vegetal ou morta e do aumento da capacidade
de infiltração de água no solo.
|