| 15. ESTUDOS AMBIENTAIS
15.1. Introdução
O projeto de aproveitamento
hidroagrícola no noroeste paulista, consiste em firmar a posição
dessa região como produtora de frutas e hortaliças, identificando
a produção como sendo da “Região dos Grandes Lagos”,
como é conhecida devido a abundância de recursos naturais
pluviais, proporcionado pelo represamento de água feitos pela CESP.
No entanto, além desses recursos hídricos estarem mal distribuídos
geograficamente, no que diz respeito à disponibilidade de uso, tanto
para consumo humano como para produção agrícola, estes
se encontram hoje mal utilizados, e acima de tudo, mal conservados do ponto
de vista ecológico e ambiental, o que tem comprometido cada vez
mais a sua qualidade, quantidade e usofruto da fauna e flora existentes
em suas adjacências.
Se entende como desenvolvimento
agrícola regional, a perfeita harmonia entre práticas agrícolas
e conservação ambiental, uma vez que sem essa última,
a agricultura é praticada de modo irracional e primitivo, o que,
mesmo com o uso de algumas tecnologias, vem a tornar finitos os recursos
naturais, com a conseqüente redução de produção
e produtividade, acarretando ainda em uma agricultura de subsistência
e sem perspectivas. Não estaria aí o início de um
êxodo rural, formação de periferias urbanas, desemprego,
violência, mortalidade infantil, etc, etc?
Em um mundo globalizado,
tornam-se mais eficientes as ações regionais, buscando as
soluções para os problemas locais, de modo que profissionais
liberais, ONG’s, Instituições Públicas e Privadas
se unam de modo a formar uma sociedade ciente do seu papel e de suas responsabilidades
para com o desenvolvimento e o bem estar da comunidade. Este projeto conta
com boa parte desses quesitos, no entanto, treinamentos e conscientização
deverão fazer parte não só durante a execução
do projeto, como também nos anos vindouros.
Baseado nessas relevâncias
e tendo em vista o processo de assoreamento dos rios, ausência de
matas ciliares, aumento das áreas de mangues e a atual agricultura
praticada em nossa região (ver Fotos), este
projeto busca viabilizar a oferta de água, através da construção
de poços e barragens ao longo dos cursos e afluentes dos córregos
Sucuri, Bacuri e Macumã, a instalação e manutenção
de matas ciliares ao longo desses cursos para evitar ainda mais os assoreamentos
e minimizar contaminações por defensivos e fertilizantes
agrícolas, e o aproveitamento das águas represadas para irrigação
de culturas através de sistemas de bombeamento e conservação
dos solos das propriedades de maneira conjunta através do sistema
“sem fronteiras”.
Indiretamente, outros
aspectos terão grande relevância não só para
o município, como também para toda uma região, como
a possível exploração do agroturismo e agroindústria,
por exemplo. Municípios alicerçados em uma agricultura forte,
uso correto dos recursos naturais e preservação desses recursos,
tem a qualidade de vida e o bem estar da população como conseqüência,
por gerações e gerações.
E ainda, sendo de
maior relevância, deve-se levar em consideração o processo
de assoreamento e destruição que se encontra os córregos
Sucuri, Bacuri e Macumã e seus afluentes e a erosão na forma
de voçorocas, que vêm refletindo de maneira negativa em todos
os aspectos agro-sócio-econômico-culturais de toda uma região.
15.2. Alternativas Analisadas
Para o suprimento
das necessidades hídricas do aumento da área irrigada pode-se
ter a opção por obras lineares (transposição)
ou obras localizadas, que é este o conceito adotado neste projeto.
Considerou-se que
o problema na região, mais do que de falta de recursos hídricos,
trata-se de um problema de recuperação ambiental, como recomposição
das matas ciliares, terraceamento em nível de microbacias e armazenamento
e regularização das vazões. Neste sentido, se os corpos
d’água e adjacências forem recuperados, a médio e longo
prazo a própria região produzirá excedentes hídricos
para fazer face as novas incorporações de áreas irrigadas,
feitas paulatinamente, à medida que haja o interesse dos produtores
da adoção da tecnologia.
15.3. Caracterização do
Empreendimento e Descrição Geral da Área
A área do projeto
Aproveitamento Hidroagrícola no Noroeste Paulista (Infra-estrutura
hídrica e preservação dos recursos naturais dos córregos
Sucuri, Bacuri e Macumã), situa-se próximo a cidade de Jales,
na região dos Grandes Lagos e está localizada no município
de Palmeira d’Oeste. A principal via de acesso, a partir de Jales, é
a rodovia SP-563, percorrendo uma distância aproximada de 22 km até
a cidade de Palmeira d’Oeste.
O relevo da região,
predominantemente, não apresenta acidentes geográficos de
grande monta, sendo composto basicamente de colinas amplas e suaves onduladas.
As bacias hidrográficas do projeto apresentam, segundo estudos preliminares,
um baixo suprimento hídrico ao longo do ano.
Para a escolha dos
locais de instalação das novas barragens, alguns critérios
foram seguidos tais como as vazões de campo, áreas com problemas
e assoreamento, ausência de mata ciliar e topografia favorável
à construção destas. O cuidado com a escolha dos locais
para as barragens teve como objetivo primeiro causar o menor impacto ambiental
possível.
Na área em
estudo foram levantados dados de campo, relacionando os recursos ali existentes
(meio biológico, meio físico e meio sócio-econômico-cultural)
afim de se promover a conservação, manutenção
e ampliação desses recursos, de modo que se obtenha um resultado
próximo de suas origens. Os outros dados já apresentados
neste documento devem ser entendidos como parte também deste estudo
ambiental, portanto não serão repetidos.
15.4. Meio Biológico
15.4.1.Flora
15.4.1.1. Aspectos vegetacionais
regionais
Segundo Cardoso (1969),
a vegetação nativa era representada por dois domínios:
o da Floresta Tropical Semicaducifolia e a do Cerrado.
A Floresta Tropical
Semicaducifolia é uma formação vegetal dominada
por árvores que alcançam de 20 a 25 metros de altura, com
até 40 centímetros de diâmetro. Entre as espécies
que se destacam, estão: a peroba (Aspidosperma sp), o pau
d’alho (Gallesia gorazema), a figueira branca (Ficus doliarias)
e a palmeira (Arecastrum romazoffiawum). Caracteriza-se por perder
parcialmente as folhas na estação seca.
Já a vegetação
de Cerrado é uma formação vegetal onde podem
ser reconhecidos 3 estratos vegetais. O primeiro, emergente, apresenta
árvores com mais de 7 metros de altura e a cobertura dos solos pela
copa de 30%. Não há presença de cipós ou epífitas.
Entre as espécies, destacam-se o pau-santo (Kielmeyra coriácea),
o barbatimão (Stryphnodendron barbatimão) e o piqui
(Coryocar brasiliensis).
O segundo, intermediário,
é menos denso com predominância de arbustos coriáceos
de até 3 metros de altura, de caules retorcidos e casca suberosa.
Entre os arbustos, destacam-se a guavira e a palmeira acaule (Atallea
exigna). O terceiro, herbáceo, corresponde a uma cobertura de
gramíneas, ciperáceas e certas espécies de orquídeas
terrestres. A dominante é a barba de bode (Aristida pallens).
Atualmente, o reconhecimento
destes domínios vegetacionais se restringem à manchas isoladas,
que são remanescentes dos processos de ocupação humana,
principalmente agrícola. Os domínios vegetacionais encontrados
hoje são relacionados diretamente ao uso e a ocupação
do solo e o fato da economia da região estar primordialmente fundamentada
em atividades agropecuárias, onde 85% do terreno é ocupado
por pastagens e culturas diversas.
15.4.1.2. Aspectos vegetacionais
locais
Em campo foram levantados
dados referentes as espécies existentes na região, sendo
levadas até o Laboratório do Herbário de Ilha Solteira
(FEIS/UNESP) as amostras de algumas espécies que não puderam
ter a sua identificação no local de amostragem, ou seja,
no campo. As espécies identificadas tanto no campo como no Laboratório
foram classificadas de acordo com a localização de ocorrência
como também a freqüência dessa ocorrência, cuja
as espécies estão apresentadas nos quadros seguintes. Para
a formatação dos quadros e a classificação
das espécies em relação a população
foi adotada a seguinte legenda:
Ø
M : mata remanescente
Ø
CI : mata ciliar
ØCO
: mata nas áreas de córregos
Ø
+ : abundante
Øo
: pouco abundante
Ø
- : raro
QUADRO 151 - Flora identificada nas
matas ciliares, matas remanescentes e matas de
córregos, nas áreas
correspondentes ao empreendimento.
|
Nome popular
|
Espécie
|
Ocorrência
|
Freqüência
|
| - |
Pterocaulen
emaginatun |
M
|
+
|
| Açoita-cavalo |
Luehea sp |
M
|
o
|
| Açoita-cavalo-miúdo |
Luehea divaricata |
M
|
+
|
| Amarelinho |
Terminalia
brasiliensis |
M
|
o
|
| Amendoim-bravo |
Pterogyne
nitens |
M
|
o
|
| Amendoim-do-campo |
Platypodium
elegons |
M
|
+
|
| Angico branco |
Anadenanthera
colubrina |
M
|
o
|
| Angico-do-cerrado |
Anadenanthera
falcata |
M
|
+
|
| Aroeira |
Astronium
urundeuva |
M
|
-
|
| Aroeira-pimenteira |
Schinus
therebinthifolius |
M
|
+
|
| Aroeira-preta |
Myracrodruon
urundeuva |
M
|
-
|
| Assa-peixe |
Vernonia
sp. |
M, CI
|
+
|
| Bacupari |
Rheedia
gardneriana |
M
|
-
|
| Bacuri |
Scheelea
phalerata |
M, CI
|
-
|
| Balsemim |
Diptychandra
ourantiaca |
M
|
-
|
| Barbatimão |
Stryphnodendron
obovatum |
M
|
-
|
| Bolsa de pastor |
Zeyhera
montana |
M
|
-
|
| Buriti |
Mauritia
flexuosa |
CO
|
-
|
| Cabeça–de-nego |
Duguetia
furfuracea |
M
|
-
|
| Cabriúva |
Myroxylon
peruiferum |
M
|
-
|
| Camboatá
Branco |
Mataryba
guianensis |
M
|
-
|
| Capitão-do-campo |
Terminalia
argentea |
M
|
o
|
| Capororoca |
Rapanea
ferruginea |
CO
|
o
|
| Caroba |
Jacaranda
cuspidifolia |
M
|
-
|
| Cavalinha |
Equizetum
pyramidale |
CO
|
-
|
| Cedro |
Cedrela
fissilis |
M
|
-
|
| Cedro-rosa |
Cedrela
fissilis |
M
|
-
|
| Chichá |
Sterculia
striata |
M
|
-
|
| Copaíba |
Copaifera
langsdorffii |
M
|
-
|
| Coqueiro |
Syagrus
sp |
M
|
o
|
| Cruz-de-malta |
Ludneigia
suffruticosa |
M
|
o
|
| Dedaleiro |
Lafoensia
pacari |
M
|
-
|
| Embaúva |
Cecropia
spp |
CO
|
+
|
| Farinha-seca |
Albizia
hasslerii |
M
|
o
|
| Faveiro |
Dimorphandra
mollis |
M
|
o
|
| Figueira branca |
Ficus insipida |
M
|
-
|
| Gabiroba |
Campomanesia
sp |
M
|
-
|
| Goiaba |
Psidium
guajava |
M
|
o
|
| Gravatá |
Eringium
penniculatum |
M, CI
|
o
|
| Guariroba |
Syagrus
oleracea |
M
|
-
|
| Guaritá |
Astronium
graveolens |
M
|
-
|
| Guatambu |
Aspidosperma
sp. |
M
|
o
|
| Ingá-verde |
inga
virescens |
M
|
-
|
| Ipê-amarelo-do-brejo |
Tabebuia
umbellata |
M
|
-
|
| Ipê-amarelo-do-campo |
Tabebuia
ochracea |
M
|
o
|
| Ipê-roxo-de-bola |
Tabebuia
impetiginosa |
M
|
o
|
| Jabuticaba |
Myrciaria
trunciflora |
M
|
-
|
| Jacarandá-do-campo |
Mochaerium
acutifolium |
M
|
-
|
| Jambolão |
Syzygium
jambolana |
M
|
-
|
| Jatobá |
Hymenaea
stignocarpa |
M
|
o
|
| Jenipapo |
Genipa
americana |
CO
|
-
|
| Jerivá |
Syagrus
romanzoffiana |
M
|
-
|
| Joá-mirim |
Celtis iguanea |
M
|
o
|
| Mamãozinho |
Jaracatia
spinosa |
M
|
-
|
| Mamica-de-cadela |
Brosimem
gaudichaudii |
M
|
-
|
| Marolo |
Annona coriacea |
M
|
-
|
| Monjoleiro |
Acacia
polyphylla |
M
|
+
|
| Murici |
Byrsonima
intermedia |
M
|
-
|
| Navalha-de-mica |
Sderia pterota |
CO
|
-
|
| Oiti |
Licania
tomentosa |
M
|
-
|
| Olho-de-boi |
Diospyros
hispida |
CI
|
-
|
| Paineira-rosa |
Chorisia
speciosa |
M
|
-
|
| Pau d’alho |
Gallesia
integrifolia |
M
|
-
|
| Pau-de-jangada |
Apeiba
tibourbou |
M
|
-
|
| Pau-de-viola |
Cytharexillum
myrianthum |
M
|
-
|
| Pau-jacaré |
Piptadenia
gonoacantha |
M
|
o
|
| Pau-pereira |
Platycyamus
regnellii |
M
|
-
|
| Pau-pólvora |
Trema
micrantha |
M
|
-
|
| Pau-terra |
Qualea jundiahy |
M
|
o
|
| Peito-de-pombo |
Tapirira
guianensis |
M, CI
|
-
|
| Pequi |
Caryocar
brasiliense |
M
|
-
|
| Quina-do-cerrado |
Strychnos
pseudoquina |
M
|
-
|
| Rabo-de-raposa |
Andropogon
bicornis |
CO
|
+
|
| Saguaraji-amarelo |
Rhamnidium
elaeocarpus |
M
|
o
|
| Sangra
D'água |
Croton
urucurana |
CI, CO
|
o
|
| Sucupira-preta |
Bowdichia
virgilioides |
M
|
-
|
| Sucupira-branca |
Pterodon
polygalaeflones |
M
|
o
|
| Tabôa |
Typa angustifolia |
CO
|
+
|
| Taboca |
- |
CO, CI
|
-
|
| Tamboril |
Enterolobium
contortisiliquum |
M
|
-
|
| Unha-de-vaca |
Bauhinia
sp. |
M
|
+
|
| Veludo |
Guettarda
sp. |
M, CI
|
-
|
| Vinhático-do-cerrado |
Plathymenia
reticulata |
M
|
-
|
3.1.2. Fauna
Na região,
o ambiente encontra-se bastante alterado e a vegetação remanescente,
que poderia abrigar os animais silvestres, apresenta-se restrita à
pequenas manchas. Uma característica da vegetação
de cerrado é o fato dela apresentar características de vegetação
secundária (Aoki, 1982), sendo que do ponto de vista ambiental,
muitas das suas espécies silvestres se adaptam a ambientes alterados
pela ocupação humana.
Entre os grupos animais
que mais sentem a interferência humana, estão os mamíferos
e algumas espécies de aves. O levantamento da fauna foi feito com
uso de binóculos, por meio de informações obtidas
através de moradores da região e por alguns levantamentos
bibliográficos e os Quadros 152 à 156 relacionam as espécies
que foram identificadas na região.
QUADRO 152 - Relação
de mamíferos existentes nas áreas correspondentes ao projeto.
|
Nome popular
|
Espécie
|
| Cachorro do
mato |
- |
| Camundongo
do mato |
Oryzomis
flavescens |
| Capivara |
Hydrochaeris
hydrochaeris |
| Cutia |
Dasyprocta
azarae |
| Gambá |
Didelphis
albiventris |
| Gato-do-mato-mourisco |
Felis vagouaroundi |
| Jaguatirica |
Leopardus
pardalis |
| Macaco prego |
Cebus apella |
| Preá |
Cavia aperea |
| Ratão
do banhado |
Myocastor
coypus |
| Ratinho do
mato |
Oryzomis
nigripes |
| Rato do chão |
Akadon azarae |
| Tatu galinha |
Dasypus
novencinctus |
| Tatu-peba |
- |
| Veado catingueiro |
Mazama gavazoubira |
| Veado mateiro |
Mazama americana |
QUADRO 153 - Relação
de aves existentes nas áreas correspondentes ao projeto.
|
Nome popular
|
Espécie
|
| Andorinha do
campo |
Phaeoprogne
tapera |
| Andorinha do
rio |
Tachycineta
albiventer |
| Andorinha grande
da casa |
Progne
chalybea |
| Andorinha pequena
da casa |
Notiochelidon
cyanoleuca |
| Anu branco |
Guira
guira |
| Anu preto |
Crotophaga
ani |
| Arara azul
do Amazonas |
Ara
ararauna |
| Beija-flor-de-peito-safira |
Amazilia
lactea |
| Bem-te-vi |
Pitangus
sulphuratus |
| Biguá |
Phalacrocorax
olicaveus |
| Canário
do mato |
Brasileuterus
flaveolus |
| Caracará |
Polyborus
plancus |
| Coam |
- |
| Codorna |
Nothura
maculosa |
| Coleirinha |
Sporophila
caerulescens |
| Coruja buraqueira |
Speotyto
cunicularia |
| Corujinha
da igreja |
Tito alba |
| Corujinha do
mato |
Otus
choliba |
| Garça
branca grande |
Casmerodius
albus |
| Garça
branca pequena |
Egretta
thylla |
| Garça
vaqueira |
Bubulcos
ibis |
| Gavião
pinhé |
Milvago
chimachima |
| Gralha do campo |
Cyanocorax
cristatellus |
| João
de barro |
Furnarius
rufus |
| Juriti |
- |
| Maritaca |
Pionus
maximiliani |
| Martim pescador |
Cervie
torquata |
| Nhambu |
- |
| Papagaio |
Amazona
sp |
| Pardal |
Passer
domesticus |
| Pássaro
preto |
- |
| Pato do mato |
Cairina
moschata |
| Perdiz |
Rynchotus
rufescens rufescens |
| Pica-pau anão |
Picumnus
minutissimus |
| Pica-pau do
campo |
Colaptis
campestris |
| Pomba do ar |
Columba
cayennensis |
| Quero-quero |
Vanellus
chilensis |
| Quiri-quiri |
Falco
sparverius |
| Rolinha, Rolinha
roxa |
Columbina
talpacoti |
| Sabiá
coleira |
Turdus
albicollis |
| Sabiá
do barranco ou pardo |
Turdus
leucomelas |
| Sabiá
do campo |
Mimus
saturninus |
| Sanhaço
cinzento |
Thraupis
sayaca |
| Seriema |
Cariama
cirstata |
| Socozinho |
Butorides
striatus |
| Tesoura cinzenta |
Muscipipra
vetula |
| Tico-tico |
Zonotrichia
capensis |
| Tiziu |
Volatina
jacarina |
| Tuim |
Forpus
xanthopterygius |
| Urubu |
Coragypus
atratus |
| Viuvinha |
Colonia
colunus |
QUADRO 154 - Relação
de anfíbios existentes nas áreas correspondentes ao projeto.
|
Nome popular
|
Espécie
|
| Perereca |
Hyla sp |
| Rã pimenta |
Leptodactylus
sp |
| Sapo |
Bufos sp |
QUADRO 155 - Relação
de peixes existentes nos córregos e afluentes
correspondentes à área
do projeto.
|
Nome popular
|
Espécie
|
| Bagre |
Rhamdia
sp |
| Canivete |
Apareidon
affinis |
| Canivete |
Leporinus
striatus |
| Cará |
Geophagus
brasiliensis |
| Cascudo |
Plescotomus
spp |
| Corvina |
Plagioscion
squamosissimus |
| Curimbatá |
Prochilodus
scrofa |
| Dourado |
Salminus
maxilosus |
| Ferreirinha |
Leporinus
octofasciatus |
| Lambari |
Astyanas
sp |
| Mandi |
Pimelodus
maculatus |
| Pacu |
Piaractus
sp |
| Piau |
Leporinus
octofasciatus |
| Piava |
Leporinus
frederici |
| Piava |
Leporinus
obtusidens |
| Piavinha |
Leporinus
lacustris |
| Piranha |
Serrasalmus
spilopleura |
| Tilápia |
Sarotherodon
niloticus |
| Traíra |
Hoplias
malabaricus |
| Tucunaré |
Cichla temensis |
QUADRO 156 - Relação
de répteis existentes nas áreas correspondentes ao empreendimento.
|
Nome popular
|
Espécie
|
| Cascavel |
Crotalus
terrificus |
| Cobra-verde |
Phylodrias
sp |
| Coral verdadeira |
Micrurus
frontalis |
| Jararaca |
Bothrops
jararaca |
| Lagarto |
Tupinambis
teguixim |
15.5. Educação Conservacionista
Para CRESTANA et al
(1993), o processo educativo é baseado, principalmente, em valores
culturais inerentes ao ser humano, que se traduzem e se concretizam em
filosofias, políticas, ideologias e leis que guiam o desenvolvimento
histórico-social do homem. Podendo observar nesse processo que tais
valores vêm-se desgastando e a questão econômica em
muito tem contribuído, tornando a sociedade moderna de caráter
consumista.
Em conseqüência,
verifica-se hoje uma ausência total dos valores culturais de preservação
e conservação do meio ambiente. Ante a este grave caso, dentro
do processo educativo, fazem-se necessários novos valores em função
das condições histórica, política e social
na perspectiva de construção de uma nova ordem social. A
educação ambiental passa a ser, dessa forma, um processo
de interação entre os indivíduos em busca da conscientização,
frente à necessidade da participação da sociedade
na resolução dos problemas ecológicos que nos cercam,
assim como na proteção e conservação do nosso
patrimônio natural para as gerações presentes e futuras.
É urgente, uma ação
efetiva dos técnicos extensionistas, uma vez que são os responsáveis
pelo relacionamento do homem do campo com o meio que o cerca, tendo por
função levar o conhecimento, de forma a permitir um desenvolvimento
que não comprometa os recursos naturais disponíveis. É
indiscutível a amplitude do programa que pode ser desenvolvido para
esse fim e mesmo a necessidade da mobilização do maior número
possível de pessoas para as atividades a serem realizadas.
Para isso, é de suma
importância que as comunidades rurais se organizem através
das entidades ou associações que sejam representativas de
seus anseios. Neste contexto, pode-se desenvolver um trabalho de Educação
Ambiental num bairro rural e/ou excursões que através de
uma série de atividades, objetivam tornar a comunidade rural e autoridades
competentes conscientes da necessidade do desenvolvimento econômico-sócio-cultural
da região, associado ao uso racional dos recursos naturais disponíveis.
Trabalhando com a realidade local, cada comunidade deve buscar o melhor
caminho para o desenvolvimento, e isso só será possível
se a mesma estiver motivada, o que pode ser conseguido através de
atividades grupais que objetivam conjugar as medidas, conscientizá-las,
inter-relacioná-las com seu meio, etc.
Este conceito de educação
ambiental e conscientização do processo de produção
integrado aos recursos naturais deve ser difundido entre os produtores
da região, pois será importante na recuperação
do meio ambiente, especialmente nas ações de recomposição
das matas ciliares e na recuperação dos corpos d’água,
atualmente com alto grau de assoreamento.
15.6. Impactos Ambientais
A análise dos Impactos
Ambientais foi realizada de acordo com procedimentos de avaliações
sucessivas e/ou complementares, que permitam identificar, avaliar e hierarquizar
os impactos, a partir das ações do empreendimento que representam
os fatos geradores do impacto.
Ao contrário de muitas
obras benéficas a uma sociedade, mas que acarretam certos danos
ao meio ambiente e até mesmo mudança de hábitos e
costumes de certas comunidades, este empreendimento está alicerçado
ou mesmo priorizado na conservação, recuperação
e manutenção dos recursos naturais, de modo a estarem esses
recursos disponíveis em qualidade e quantidade para o uso agrícola
e também, essencialmente, na manutenção e recuperação
da fauna e flora.
Os impactos identificados
são qualificados e se possível quantificados no Quadro 157.
A análise procura caracterizar o impacto após a ocorrência
do fato gerador e da implementação das medidas mitigadoras
e/ou compensatórias recomendadas
QUADRO 157 - Relação
dos Impactos Ambientais quanto a sua classe, período de
ocorrência, importância
e reversibilidade.
|
Impactos
|
Classe
|
Etapas de duração
|
Importância
|
Reversi-
|
| |
|
Construção
|
Operação
|
|
bilidade
|
| Mudanças
sócio-culturais |
P
|
|
X
|
Média
|
I
|
| Geração
de empregos temporários |
P
|
X
|
|
Grande
|
R
|
| Geração
de novos empregos e incremento da imigração |
P
|
X
|
X
|
Muito grande
|
I
|
| Aumento
da massa salarial |
P
|
X
|
X
|
Grande
|
I
|
| Aumento
da arrecadação fiscal |
P
|
X
|
X
|
Muito grande
|
I
|
| Melhoria
da qualidade das águas dos córregos e afluentes |
P
|
|
X
|
Grande
|
I
|
| Aumento
e diversificação da fauna e da flora |
P
|
X
|
X
|
Grande
|
I
|
| Crescimento
vertical da agricultura |
P
|
|
X
|
Grande
|
I
|
| Diversificação
agrícola |
P
|
|
X
|
Grande
|
I
|
| Desenvolvimento
da agroindústria |
P
|
|
X
|
Grande
|
I
|
| Desenvolvimento
do agroturismo |
P
|
|
X
|
Média
|
I
|
| Aumento
do tráfego de maquinas pesadas na região |
N
|
X
|
|
Pequena
|
R
|
| Bota-fora |
N
|
X
|
|
Pequena
|
I
|
| Retirada
de solo para construção das barragens |
N
|
X
|
|
Média
|
I
|
| Poluição
por ruídos das máquinas |
N
|
X
|
|
Pequena
|
R
|
| Aumento
da oferta de produtos |
P
|
|
X
|
Média
|
I
|
| Formação
de cooperativas de produtores |
P
|
|
X
|
Grande
|
I
|
| Fixação
do homem no campo |
P
|
|
X
|
Grande
|
I
|
Classe: Positivo (P); Negativo(N).
Reversibilidade: Reversível
(R); Irreversível (I)..
Apesar da existência
do bota-fora ser considerada negativa, sua relevância foi minimizada
uma vez que este por ser efetivado nas áreas de erosão profunda
ou voçorocas, onde o material retirado para a construção
das barragens seriam então utilizados na recuperação
dos solos, hoje impossibilidados de se fazer agricultura.
O item “Formação
de cooperativas de produtores” pressupõe a fundação
ou intensificação das atividades de qualquer tipo de associativismo,
seja na forma de cooperativa, associação e até mesmo
novas empresas que se formam com objetivos em comum.
|