PROJETO
APROVEITAMENTO
HIDROAGRÍCOLA
NO NOROESTE PAULISTA
PROJETO PILOTO DE CONSERVAÇÃO
DOS RECURSOS DO SOLO E ÁGUA E IRRIGAÇÃO COLETIVA NAS
MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS DOS CÓRREGOS SUCURI, BACURI E MACUMÃ
NO MUNICÍPIO DE PALMEIRA D'OESTE - ESTADO DE SÃO PAULO
APRESENTAÇÃO
Localizada no extremo noroeste
do Estado de São Paulo, a região dos Grandes Lagos, como
é carinhosamente chamada, teve nos cafezais seu desbravamento e
colonização e hoje busca alternativas de desenvolvimento
e certamente será novamente na agricultura que a região encontrará
a retomada do crescimento. Atualmente é servida por rodovias, aeroportos,
ferrovias e pela Hidrovia Tiête-Paraná, que juntamente com
a Ponte Rodoferroviária inaugurada em 1998, anunciam a viabilidade
de um novo ciclo de desenvolvimento regional.
À infra-estrutura
de transporte regional, somam-se o clima favorável e as suas férteis
e planas terras, formando a base para o seu desenvolvimento sócio-econômico
e a possibilidade de oferecer uma agricultura irrigada moderna, dinâmica
e principalmente, respeitando sua vocação natural. Tem-se
como certo que o desenvolvimento sócio-econômico da região
dos Grandes Lagos somente será viável a curto e médio
prazo se alicerçado no agronegócio, entendido este como o
processo e produto da ação integrada dos agentes sociais
e econômicos incluídos nas cadeias produtivas de origem rural.
Considerando a predominância
na região de pequenas propriedades, ainda com características
de trabalho familiar, deve-se obrigatoriamente considerar a fruticultura
irrigada como alicerce para o desenvolvimento e aceitar como inexorável
o fato de que somente o agronegócio é capaz de gerar trabalho
e renda para todos ao menor custo e no menor prazo. Para que o desenvolvimento
da região seja uma realidade recomenda-se a implementação
do Programa de Desenvolvimento da Fruticultura Irrigada na Região
dos Grandes Lagos.
E um programa desta
envergadura, que se propõe a recuperar a pujança econômica
do passado, antes alicerçada nos cafeeiros, somente terá
sucesso se baseado no tripé: irrigação, diversificação
agrícola e comercialização.
Uma proposta de diversificação
agrícola deve contemplar identificação de demanda,
crédito para investimento e custeio, treinamento ao agricultor,
pesquisa regional em fruticultura irrigada e distribuição
de mudas. Do lado da comercialização, a consolidação
e unificação da logomarca "Grandes Lagos", pesquisa de mercado,
treinamento em pós-colheita e gestão empresarial e o incentivo
à implantação de agroindústrias e ao turismo
rural devem ser considerados.
A estabilidade da
produção, a colheita fora de época e o aumento da
produtividade é conseguida através do uso da irrigação.
Um plano de desenvolvimento deve então considerar a identificação
de demanda, o treinamento em irrigação e a oferta de infra-estrutura
básica. Na identificação da demanda, deve-se selecionar
as melhores áreas para irrigação. A pesquisa gera
novos conhecimentos e tecnologias adequadas à região, enquanto
que o treinamento proporciona ao irrigantes condições de
selecionar os melhores equipamentos e principalmente aplicar a água
no momento e na quantidade certa para as plantas, economizando água,
energia e fertilizantes e protegendo o meio ambiente.
Por infra-estrutura
básica entende-se armazenar e distribuir água a quem não
a possui em quantidade adequada para irrigar suas lavouras e este é
o principal objetivo deste projeto, que pressupõe a ação
integrada da engenharia de irrigação, da conservação
do solo e água e ainda da recomposição do meio ambiente
totalmente degradado pela ação dos desmatamentos e ausência
de conservação do solo.
Este projeto tem também
por objetivo, ao implementar estruturas coletivas de irrigação,
testar e avaliar o comportamento dos futuros irrigantes à essa nova
modalidade de captação e distribuição de água,
até então feita de maneira individualizada.
Por mais paradoxal
que possa parecer, esta região apresenta baixa disponibilidade hídrica
em seus córregos, parte provocada pelo assoreamento dos corpos d'água,
inviabilizando a expansão da fruticultura irrigada, hoje baseada
nas uvas finas de mesa e mais recentemente nas anonáceas.
Para equacionar esta
situação, este projeto objetiva aumentar a oferta de água
aos produtores, baseado nas seguintes ações:
-
Treinamento em manejo da irrigação
-
Identificação
da aptidão das terras para irrigação
-
Terraceamento do solo em nível
de microbacia, visando a conservação do solo e da água
-
Recomposição das
matas ciliares inexistentes nas três microbacias do projeto
-
Construção de
nove barragens de terra para armazenamento da água
-
Construção de
três poços profundos
-
Implantação de
sistemas coletivos de distribuição de água para irrigação
aos produtores que não as tem em fonte superficial
-
Incentivo à implantação
de agro-indústrias e ao turismo rural.
As ações previstas
permitem a expansão da área irrigada e marca a parceria entre
o Governo e a iniciativa privada, na qual o primeiro implanta a infra-estrutura
a ser utilizada coletivamente e que preservará o meio ambiente,
enquanto que os produtores garantem, paulatinamente, os investimentos porteira
a dentro em irrigação, delineando uma solução
local para a produtividade insatisfatória vigente, gerando riqueza
e progresso para a região. |