6. USO E OCUPAÇÃO
DAS TERRAS
O objetivo deste estudo
é realizar o diagnóstico do meio físico delimitado
pelas bacias hidrográficas dos córregos Sucuri, Bacuri e
Macumã, localizadas no município de Palmeira d’Oeste, noroeste
do Estado de São Paulo. Para atingir este objetivo, foram realizados
o levantamento do uso e ocupação atual das terras dentro
dos limites citados e a classificação destas terras no Sistema
de Capacidade de Uso.
Com este diagnóstico
é possível delimitar as áreas que apresentam as maiores
potencialidades do meio físico para implantação de
projetos de irrigação coletivos e/ou individuais.
O estudo para a elaboração
do Mapa de Uso e Ocupação das Terras foi efetuado a partir
de imagem digital TM do satélite Landsat-5, sensor Thematic Mapper,
cena 222/74, bandas 2, 3 e 4, de 10/09/1997. A cena foi georeferenciada
pelo software PCI/EASI/PEACE 6.2, e para a confecção do mapa
foi utilizada o software Autocad 14. A identificação das
categorias de usos e ocupações existentes na área
de estudo foi realizada a partir da interpretação da imagem
de satélite (Figura 12) e de observações de campo,
as quais consistiram na verificação e checagem da interpretação
preliminar da imagem de satélite na escala 1:25.000.
FIGURA 12 - Imagem do satélite
Landsat-5/TM, cena 222/74, mostrando área a norte da cidade de
Palmeira D’Oeste, onde é mais intenso o cultivo de culturas perenes.
A Folha
2 representa o mapa de Uso e Ocupação das Terras compreendidas
nas bacias hidrográficas dos córregos Bacuri, Sucuri e Macumã,
afluentes do Ribeirão Ponte Pensa que deságua no Rio Paraná,
próximo à barragem da represa da Usina Hidrelétrica
de Ilha Solteira. A face noroeste da área em estudo, onde o córrego
Macumã deságua no Ribeirão Ponte Pensa está
a apenas 1.500 metros do final da Barragem de Ilha Solteira.
Esse mapa engloba todas
as coberturas naturais e antrópicas existentes na área de
enfoque deste estudo. A caracterização do uso considera o
conhecimento da utilização da terra pelo homem e a presença
de vegetação natural, alterada ou não. O levantamento
do uso e ocupação das terras foi executado diretamente sobre
as imagens em papel, anotando-se os limites das glebas reconhecidas. Após
análise e controle de campo, foi digitalizado usando-se software
Autocad R14.
A identificação
de cada categoria, considerando sua resposta espectral imageada, utiliza
como parâmetros de individualização a tonalidade, a
textura fotográfica, o porte da vegetação (presença
de sombra lateral) e outros aspectos associados, tais como a presença
de carreadores, estrutura e a forma das glebas, limites e outras evidências
que fazem convergir para a melhor definição de cada categoria
de uso e ocupação. Porém, entre a época da
tomada das imagens e o levantamento de campo podem ter ocorrido mudanças
nas categorias de Uso e Ocupação, principalmente em relação
às áreas preparadas para plantio ou em pousio. A escala de
mapeamento é compatível com os propósitos do projeto
e da resolução da imagem, mas não permite contemplar
toda a diversidade existente em nível de pequenas propriedades ou
glebas. A conceituação das categorias de uso e ocupação
das terras foram extraídas de Serra Filho et al (1974) e Chiarini
et al (1976).
6.1. Agricultura perene e anual
São classificadas
como culturas perenes aquelas que apresentam ciclo longo entre o plantio
e a renovação dos talhões, superior a 5 anos. As áreas
de agricultura representam o cultivo de laranja, banana, uva, culturas
anuais, etc, além do cultivo de seringueira. A laranja é
o cultivo mais freqüente no município, principalmente nas proximidades
das principais rodovias, assim como as demais culturas.
6.2. Cana-de-açúcar
A cana-de-açúcar
é uma categoria de cultivo semiperene, cuja renovação
dos talhões se efetua a cada 4 anos, em média. As glebas
têm limites retilíneos, com talhões bem definidos e
carreadores próximos. No entanto, o estágio de desenvolvimento
da cultura modifica sobremaneira os padrões de interpretação
em imagens de satélite. Com exceção da cana adulta,
os padrões individuais são bastante variados, sendo reconhecíveis
por estarem inseridos no contexto dessa atividade agrícola. Isso
implica grande dificuldade para diagnosticar pequenas glebas isoladas,
fora das áreas de cultivo intensivo. As principais variações
correspondem à cobertura do terreno, que é decorrência
do estágio de desenvolvimento da cultura: talhões em plantio,
em crescimento, adulto, queimados para corte, recém-cortados e restos
culturais. Verificou-se a presença de apenas uma pequena área
no extremo oeste do município.
6.3. Vegetação de porte
arbóreo
Como vegetação
de porte arbóreo foram incluídas as matas, reflorestamentos,
capoeiras e as matas-galeria que acompanham os cursos d'água. São
categorias de cobertura de porte médio a alto. A vegetação
secundária/capoeirão é a que sucede a derrubada seletiva
das matas. As classes de vegetação secundária, aqui
enquadradas, referem-se aos povoamentos de florestas naturais bastante
alteradas ou em estado de regeneração bastante avançado.
São constituídas por indivíduos lenhosos, árvores
finas compactamente dispostas, e por espécies espontâneas
que invadem as áreas devastadas, apresentando desde porte arbustivo
(médio/baixo) até arbóreo (médio/alto). Ocorrem
mais freqüentemente a norte do município.
6.4. Pastagens
Nesta categoria estão
incluídos os campos antrópicos e todos os tipos de pastagens,
com diferentes níveis de manejo. Estas categorias de cobertura da
terra são as mais usuais em toda a região, principalmente
na porção norte da área, ocorrendo nas áreas
de ausência de agricultura e de vegetação natural de
porte médio a alto.
6.5. Várzea
As várzeas apresentam
normalmente vegetação natural, de porte desde rasteiro até
alto, caracterizando as matas-galerias. São mais desenvolvidas ao
longo dos principais cursos d'água, na porção norte
do município.
6.6. Represa
A cartografia das represas
foi realizada a partir de cartas topográficas do IBGE, escala 1:50.000,
sendo atualizadas com o auxílio da imagem do satélite Landsat-5
e também com expedições em campo sendo georeferenciadas
com o uso de equipamentos do tipo GPS. As categorias de uso e ocupação
referenciados às suas respectivas áreas estão apresentados
no Quadro 25.
QUADRO 25 - Categorias de uso e ocupação
das terras e respectivas áreas.
|
CATEGORIAS DE USO E OCUPAÇÃO
|
Área
|
|
km2
|
%
|
|
Agricultura perene e anual
|
5,96
|
7,73
|
|
Cana-de-açúcar
|
0,03
|
0,04
|
|
Vegetação de porte
arbóreo
|
1,31
|
1,70
|
|
Pastagens
|
65,57
|
85,07
|
|
Várzeas
|
4,09
|
5,30
|
|
Represas
|
0,16
|
0,21
|
|
Total
|
77,12
|
100,00
|
7. RELEVO
A forma atual do relevo
é produto principalmente da ação do clima (chuvas
e temperatura) e de processos de intemperização físico-química
sobre as rochas. O modelamento atual do relevo condiciona a ação
da água sobre as terras, na forma de infiltração e
de escoamento superficial e sub-superficial, principal causa de perda de
solo por erosão. Assim, para planejar o uso adequado das terras,
conforme as suas potencialidades e limitações, torna-se imprescindível
o estudo detalhado do relevo, principalmente quanto à declividade
das encostas.
7.1. Classes de declive
A declividade das encostas
é o principal fator do relevo condicionante da erosão. Sua
variação determina formas e feições da paisagem,
ditando também potencialidades de uso e restrição
ao aproveitamento das terras. As classes de declividade foram determinadas
por processo manual, utilizando-se de ábaco de declividades, complementados
por trabalhos de aerofotointerpretação de fotos na escala
1:25.000. Foram discretizadas as classes de A (0-3%), B (3-6%),
C
(6-12%), D (12-20%), E (maior que 20%) e hidromórfico
(<3%).
Para a elaboração
do mapa de Classes de Declive, apresentado na Folha
3, foram utilizas a base planialtimétrica, escala 1:25.000,
com equidistância vertical de 10m, e as fotografias aéreas
do aerolevantamento executado pelo Ministério da Aeronáutica,
na escala 1:25.000, editada em 1971 pelo Instituto Brasileiro do Café-IBC,
correspondentes às faixas 19A(fotos 839 a 845), 20A (fotos 917 a
923) e 21A (fotos 1027 a 1033). A cada classe de declive cabem características
particulares quanto ao escoamento das águas superficiais e também
procedimentos específicos quanto a usos, manejos e práticas
conservacionistas, conforme apresentados sinteticamente a seguir.
·Classe
A (0-3%) - Compreende áreas planas ou quase planas, onde o escoamento
superficial
(deflúvio) é lento ou muito lento. Esta classe não
oferece dificuldade ao uso de máquinas
agrícolas. A erosão hídrica não é significativa,
exceto em vertentes muito longas e com
solos altamente suscetíveis à erosão.
·Classe
B (3-6%) - Os terrenos desta classe têm declives suaves, onde
geralmente o deflúvio é lento
ou médio. Nessa classe o trabalho mecanizado usual é de fácil
operação. Geralmente
práticas simples de conservação do solo são
suficientes (cultivo em nível ou plantio direto),
exceto em solos erodíveis (arenosos) com comprimento de rampa muito
longo.
·
Classe C (6-12%) - A classe C engloba terrenos inclinados, em relevo
geralmente ondulado. O
deflúvio é médio ou rápido. O declive normalmente
não prejudica o uso de máquinas
agrícolas. Em alguns casos a erosão hídrica pode ser
controlada com práticas simples.
Porém, normalmente são necessárias práticas
complexas de conservação do solo
(terraceamento, plantio direto), para que seja cultivado intensamente.
·Classe
D (12-20%) - Compreende terrenos inclinados em relevo ondulado. Geralmente
o escoamento
superficial é rápido para a grande maioria dos solos. O uso
de máquinas agrícolas é
parcialmente prejudicado. A erosão hídrica compromete o cultivo
intenso.
·Classe
E ( >20%) - A classe E constitui terrenos muito inclinados a fortemente
inclinados onde o
escoamento superficial é muito rápido. Nessa classe, a grande
maioria dos solos, é
extremamente suscetível à erosão, e os terrenos devem
ser utilizados somente para
cultivos perenes, pastagens ou reflorestamentos. A maior parte das máquinas
agrícolas
pode ser usada, mas com dificuldades. Há sérios impedimentos
ao uso, exigindo práticas
muito complexas (projetos de drenagem), e devem ser mantidos preferencialmente
como
áreas de preservação ambiental.
·
Hidromórfico (<3%) - As áreas com predomínio
de solos hidromórficos tornaram-se objeto de
identificação específica no mapa de Classes de declive,
pois representam áreas
encharcadas planas ou quase planas (declividade menor que 3%) e constituem
unidade
específica de capacidade de uso da terra.
No Quadro 25-A é apresentado
o total de área de cada classe de declive e sua respectiva porcentagem
em relação à área total estudada.
QUADRO 25-A - Área ocupada por
cada classe de declividade.
|
Classes de
Declive
|
Área
|
|
km2
|
%
|
|
A (0-3%)
|
3,91
|
5,07
|
|
B (3-6%)
|
38,16
|
49,48
|
|
C (6-12%)
|
27,77
|
36,01
|
|
D (12-20%)
|
2,53
|
3,28
|
|
E (>20%)
|
0,08
|
0,10
|
|
Hidromórfico (<3%)
|
4,67
|
6,05
|
|
Total
|
77,12
|
100,00
|
8. SOLOS
Os solos podem ser entendidos
como sendo produtos de desagregação e de decomposição
das rochas em função do clima, relevo, organismos vivos e
tempo, bem como, da ação antrópica. O levantamento
de solos foi realizado em detalhe compatível com a escala 1:25.000.
O mapa de solos das bacias hidrográficas dos córregos Bacuri,
Sucuri e Macumã, corresponde à Folha
4 e o levantamento dos solos foi realizado através das etapas
descritas a seguir.
1ª
ETAPA - Caracterização pedológica
Esta etapa consistiu das
seguintes atividades:
a) descrição
de perfis de solos em cortes de estradas e em sondagens utilizando trado
manual, buscando caracterizar a morfologia de cada horizonte pedológico
quanto à espessura, cor (Tabela Munsell Soil Color Charts,
1975), textura e consistência molhada, conforme o “Manual de descrição
e coleta de solo no campo” de Lemos e Santos (1984);
b) coletas de amostras com
estrutura deformada;
c) ensaios de granulometria
para análise textural;
e) ensaios químicos
para análise de fertilidade; e
e) classificação
dos solos.
A granulometria foi determinada
através do método do densímetro, descrito em Klute
(1986). A classificação textural adotada é a definida
pela United State Department of Agriculture-USDA, e é dividida da
seguinte forma: 0 a 14% de argila, textura arenosa; 15 a 24% de argila,
média arenosa; 25 a 34%, média argilosa; 35 a 59%, argilosa;
> 60% de argila, textura muito argilosa.
As análises químicas
para classificação dos solos quanto a fertilidade foram executadas
pelo Laboratório de Fertilidade do Solo do Departamento de Ciência
do Solo e Engenharia Rural da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira
- UNESP.
2ª
ETAPA - Elaboração do mapa de solos
O mapa de solos foi elaborado
com base na classificação dos solos de cada perfil estudado
na 1ª
etapa e na interpretação de fotografias aéreas, onde
se atentou para a morfologia dos terrenos para delimitar cartograficamente
as unidades pedológicas na escala 1:25.000. Nas unidades pedológicas
mais expressivas foram abertas trincheiras para descrição
morfológica completa do perfil e classificação do
solo.
Na área estudada
verificou-se a ocorrência de quatro classes de solos: Podzólico
Vermelho Escuro eutrófico, distrófico e álico epidistrófico,
A fraco a moderado, textura arenosa/média (PE), Podzólico
Vermelho Amarelo eutrófico e distrófico, A fraco a moderado,
textura arenosa/média (PV), Latossolo Vermelho Escuro eutrófico,
A fraco, textura média (LE) e o Hidromórfico, A moderado
(GPH).
O Quadro 26 apresenta as
áreas (km2) ocupadas por cada classe de solo que ocorre
na área estudada.
QUADRO 26 - Classes de solos e as áreas
correlacionadas.
|
Classes de Solos
|
Área
|
|
km2
|
(%)
|
| Podzólico
Vermelho Escuro eutrófico, distrófico e álico epidistrófico,
A fraco a moderado, textura arenosa/média |
70,87
|
91,90
|
| Podzólico
Vermelho Amarelo eutrófico e distrófico, A fraco a moderado,
textura arenosa/média |
0,89
|
1,15
|
| Latossolo Vermelho
Escuro eutrófico, A fraco, textura média |
0,69
|
0,90
|
| Hidromórfico,
A moderado |
4,67
|
6,05
|
|
TOTAL
|
77,12
|
100,00
|
Os valores apresentados mostram
que 92% da área é de domínio do grupo do Podzólico
Vermelho Escuro, que se caracteriza por ser espesso (profundidades maiores
que 1,5 m), indicando um estádio avançado de evolução
pedogenética. Estes solos originaram da intemperização
de arenitos da Formação Adamantina do Grupo Bauru, rochas
do cretáceo superior que compõem Bacia Sedimentar do Paraná.
|