9. CLASSIFICAÇÃO
DAS TERRAS NOS SISTEMAS DE CAPACIDADE DE USO
As terras são classificadas
no Sistema de Capacidade de Uso através do confronto entre as classes
de declive e as unidades pedológicas. Esta classificação
estabelece classes homogêneas de terras baseadas no grau de limitação
e subclasses, com base na natureza da limitação do uso. Na
caracterização das classes de Capacidade de Uso, leva-se
em consideração a maior ou menor complexidade das práticas
conservacionistas, quais sejam: as de controle de erosão e as de
melhoramento do solo (calagens, adubação, etc.). As subclasses
explicitam melhor as práticas de conservação e/ou
de melhoramento.
Desta forma, as terras das
bacias hidrográficas dos córregos Bacuri, Sucuri e Macumã
foram enquadradas nas seguintes classes:
Ø
Classe II: compreende terras cultiváveis, com problemas simples
de conservação e melhoramento;
Ø
Classe III: terras cultiváveis, com problemas complexos de conservação
e melhoramento;
Ø
Classe IV: terras cultiváveis apenas ocasionalmente, ou em extensão
limitada, com sérios problemas de conservação;
Ø
Classe V: terras impróprias para o cultivo, com problemas de encharcamento
e com possibilidade de serem drenadas artificialmente. São adaptadas
para pastagens nas épocas secas do ano;
Ø
Classe VI: terras impróprias para o cultivo, devido à declividade
excessiva. Podem ser cultivadas para certos cultivos permanentes protetoras
do solo.
As limitações
de uso das terras são de três naturezas: limitações
pela erosão e/ou risco de erosão (e), limitações
relativas ao solo (s), referidas ao potencial nutricional e limitações
relativas à má drenagem do solo (a).
Quanto ao potencial nutricional
do solo, o relacionamento da saturação em bases (V%) com
a capacidade de troca de cátions (CTC) proporciona uma avaliação
mais precisa do que simplesmente o uso do índice de saturação
em bases (Oliveira, 1992). Dentro de cada classe de Capacidade de Uso,
os solos que apresentam limitações de natureza diferentes
são enquadradas em subclasses diferentes.
Dessa maneira e com base
nas unidades de mapeamento de solos, nas classes de declive e nas características
granulométricas e químicas dos solos, as terras das bacias
hidrográficas dos córregos Bacuri, Sucuri e Macumã
foram agrupadas em classes e subclasses do Sistema de Classificação
de Capacidade de Uso. No Quadro 27, apresentam-se as classes e subclasses
de capacidade de uso referidas às unidades pedológicas e
às classes de declive.
QUADRO 27 -
Classes e subclasses de capacidade de uso.
|
SOLOS
|
CLASSES DECLIVIDADE
|
|
A
(0-3%)
|
B
(3-6%)
|
C
(6-12%)
|
D
(12-20%)
|
E
(>20%)
|
|
Subclasses de Capacidade de
Uso das Terras
|
| Podzólico
Vermelho Escuro eutrófico, distrófico e álico epidistrófico,
A fraco a moderado, textura arenosa/média |
IIes
|
IIIe
|
IVe
|
VIe
|
VIe
|
| Podzólico
Vermelho Amarelo eutrófico e distrófico, A fraco a moderado,
textura arenosa/média |
-
|
IIIe
|
IVe
|
VIe
|
Vie
|
| Latossolo Vermelho
Escuro eutrófico, A fraco, textura média |
IIe
|
IIIe
|
-
|
-
|
|
| Hidromórfico,
A moderado |
Va
|
Va
|
-
|
-
|
-
|
A definição
de classes de capacidade de uso das terras por si só reflete o quadro
de fatores do meio físico, constituindo-se em importante documento
para o planejamento da atividade rural. Sua confrontação
com a ocupação atual das terras define as áreas de
uso em conflito. O Sistema de Classificação de Capacidade
de Uso das Terras estabelece classes homogêneas de terrenos com base
no grau de limitação de uso, e subclasses que representam
as classes qualificadas quanto a natureza da limitação. Na
caracterização das classes, leva-se em consideração
a maior ou menor complexidade das práticas conservacionistas, no
caso, as de controle de erosão e as de melhoramento do solo. As
subclasses explicitam mais detalhadamente as práticas de conservação
e/ou de melhoramentos. A natureza da limitação é indicada
por letras minúsculas após o algarismo romano das classes.
Quando existem duas limitações com intensidades semelhantes,
ambas são indicadas, com a primeira delas designando a limitação
predominante. Para área estudada são três as naturezas
de limitações expressas pelas subclasses: e,
quando existe erosão ou há risco de que ocorra; a,
quando há problemas de encharcamento; e s,
quando há limitação do solo (Lepsch, 1991).
A Folha
5 refere-se ao mapa de Capacidade de Uso das Terras das bacias hidrográficas
dos córregos Bacuri, Sucuri e Macumã. No Quadro 28 têm-se
as áreas ocupadas por cada subclasse de capacidade de uso em relação
à área total estudada.
QUADRO 28 - Áreas das subclasses
de capacidade de uso.
|
Classe
|
Subclasse
|
Área (km2)
|
%
|
|
II
|
IIs
|
0,10
|
0,13
|
|
IIes
|
3,81
|
4,94
|
|
III
|
IIIe
|
38,22
|
49,63
|
|
IV
|
IVe
|
27,71
|
35,98
|
|
V
|
Va
|
4,67
|
6,06
|
|
VI
|
VIe
|
2,61
|
3,39
|
|
TOTAL
|
77,12
|
100,00
|
9.1. Classes dos Solos
As classes podem então
serem caracterizadas como:
9.1.1. Classe II
(culturas com práticas simples de conservação)
São terras que tem
limitação moderada para seu uso. Estão sujeitas a
riscos moderados de degradação; entretanto, são terras
boas, que podem ser cultivadas desde que lhes sejam aplicadas práticas
especiais de conservação do solo, de fácil execução.
Com essas práticas, espera-se que as culturas, as mais adaptadas
à região, tenham produção segura e permanente
de colheitas médias a elevadas. Esta classe abrange 391 hectares,
corresponde a apenas 5,07% da área total estudada (Quadro 28).
9.1.1.1. Subclasse
IIe (problema de erosão)
São terras produtivas,
de alta fertilidade, situadas em relevo suavemente ondulado, apresentando
ligeiro a moderado risco de erosão. Constitui esta subclasse o Latossolo
Vermelho Escuro eutrófico, e ocupa apenas 10 hectares, cerca de
0,13% da área total.
9.1.1.2.
Subclasse IIes (problema de erosão e de solo)
São terras com baixo
índice de saturação por bases (V% < 50%) e que
apresenta ligeiro a moderado risco de erosão. Abrange o Podzólico
Vermelho Escuro distrófico e álico epidistrófico,
ocupando uma área de 381 ha, o que corresponde a aproximadamente
5% da área total. Há problemas de elevado teor de Al+++,
que deve ser corrigido através de práticas de calagem.
9.1.2. Classe III
(culturas com práticas intensivas e complexas)
A classe III abrange terras
passíveis de utilização com culturas anuais, perenes,
pastagens, ou reflorestamento, com problemas complexos de conservação
do solo. Quando cultivadas sem cuidados especiais, estão sujeitos
a severos riscos de depauperamento, principalmente no caso de culturas
anuais. Requerem medidas intensas e complexas de conservação
do solo, a fim de poderem ser cultivadas segura e permanentemente, com
produção média a elevada de culturas adaptadas.
9.1.2.1. Subclasse
IIIe (problema de erosão)
Constituem esta classe o
Latossolo Vermelho Escuro, em classe de declive B(3 a 6%), e os Podzólicos
Vermelho Escuro e Vermelho Amarelo, situados em classes de declive B (3
a 6%) ou C (6 a 12%). Abrangem 3.822 hectares, correspondendo a praticamente
50% da área total.
9.1.3. Classe IV
São terras que têm
riscos ou limitações permanentes muito severas quando usadas
para culturas anuais. Preferencialmente, devem ser mantidas como pastagens,
mas podem ser suficientemente boas para certos cultivos ocasionais (na
proporção de um ano de cultivo para cada quatro a seis de
pastagens) ou para certas culturas anuais ou perenes, porém com
cuidados muito especiais. Caracterizam-se pelos seguintes aspectos: declive
acentuado (> 12%), erosão severa, suscetibilidade à erosão
devido ao impedimento da drenagem no horizonte B mais argiloso. Esta classe
ocupa 2771 hectares, o que corresponde a 36% da área total. De acordo
com a natureza do fator restritivo de uso, a classe IV apresenta a subclasse
IVe.
9.1.3.1. Subclasse
IVe (problema de erosão)
São terras limitadas
por risco de erosão para cultivos intensivos, com declividades acentuadas.
A subclasse IVe engloba o Podzólico Vermelho Escuro e o Podzólico
Vermelho Amarelo, em declive D (12-20%).
9.1.4. Classe V
São terras com problemas
de encharcamento e com possibilidade de serem drenadas artificialmente.
Podem servir como pastagem nas épocas secas do ano. O índice
“a” nesta classe explicita o problema de encharcamento pelo menos durante
algum tempo do ano. Compreendem o solo Hidromórfico: Glei Pouco
Húmico, que ocupa 467 hectares ou 6% da área total.
9.1.5. Classe VI
São terras adaptadas
para pastagens ou reflorestamentos, impróprios para culturas anuais,
porém cultiváveis apenas em casos especiais com algumas espécies
permanente protetoras do solo. Caracteriza por apresentar declividade acentuada
(classe E: >20%). Compreende o Podzólico Vermelho Escuro e o Podzólico
Vermelho Amarelo, em declive E, com muita alta suscetibilidade à
erosão. Abrange 261 hectares ou 3,4% da área total.
9.2. Recomendações
De acordo com o Manual para
Levantamento Utilitário do Meio Físico e Classificação
das Terras no Sistema de Capacidade de Uso (Lepsch, 1991), apresenta-se
a seguir as recomendações de práticas gerais de manejo
mais adequados a cada Subclasse de Capacidade de Uso:
Subclasse IIe: como
práticas de conservação recomenda-se plantio e cultivo
em nível, culturas em faixas e manutenção ou melhoramento
das condições físicas do solo, como por exemplo: rotação
com culturas de raízes profundas ou com grande quantidade de matéria
residual;
Subclasse IIes: além
das práticas conservacionistas que devem ser aplicadas na subclasse
IIe, recomenda-se adubação e calagem em função
do solo e cultura, e práticas para diminuir a evaporação
através de cobertura morta;
Subclasse IIIe: como
práticas de conservação recomendam-se plantio e cultivo
em nível aliado a culturas em faixas e/ou terraceamento, aumento
da proporção de culturas densas nos planos de rotação;
canais de divergência; e plantio direto, sem aração;
Subclasse IVe: como
práticas de conservação, recomendam-se controle de
sulcos de erosão; preparo do terreno de acordo com a cultura a ser
instalada (covas e sulcos), plantio e cultivo em nível; terraceamento
(base média, estreita ou patamares), cordões em contorno,
banqueta individuais, cobertura morta, adubação e calagem
para correção do solo, e melhoria das condições
físico-químicas do solo (incorporação de matéria
orgânica);
Subclasse Va: como
práticas de conservação, recomenda-se escolha de espécies
adaptadas a terrenos encharcados;
Subclasse VIe: como
práticas de conservação recomendam-se controle dos
sulcos de erosão, sulcos em nível, controle do pisoteio,
plantio de forrageiras de vegetação densa.
9.3. Conclusões
O levantamento do Uso e
Ocupação das Terras das bacias hidrográficas dos Córregos
Bacuri, Sucuri e Macumã, mostram que a maioria das terras (85%)
é utilizada como pastagem para criação de bovinos
para corte ou produção leiteira. Somente 8% é ocupada
pela atividade agrícola, caracterizada principalmente pela fruticultura.
Os cultivos da laranja, limão, banana e uva são a principal
atividade econômica, responsável pelas maiores receitas, dos
proprietários das terras das bacias hidrográficas dos Córregos
Bacuri, Sucuri e Macumã.
O relevo da área
de estudo é dominado por colinas médias a amplas, com vertentes
convexas, o que proporciona uma morfologia em geral suave ondulada a ondulada.
Em conseqüência, têm-se o predomínio da classe
de declive B (3-6%), que abrange praticamente 50% da área total
estudada, seguida da classe C (6-12%), que ocupa 36%.
Quanto aos solos, tem-se
o grupo do Podzólico Vermelho Escuro em praticamente 92% da área
das bacias hidrográficas estudadas. São solos bem desenvolvidos,
com mais de 1,5 m de profundidade. Existem podzólicos com gradiência
textural gradacional entre os horizontes A e Bt, o que pode gerar propriedades
hídricas semelhantes aos do grupo dos Latossolos, bem como aqueles
podzólicos com variação textural abrupta entre os
horizontes A e Bt. Estes últimos apresentam suscetibilidade muito
alta aos processos erosivos, pois o horizonte Bt, muito mais argiloso que
o subjacente, funciona como uma barreira para a água que se infiltra
rapidamente através do horizonte A arenoso, proporcionando a formação
do escoamente superficial.
Quanto à fertilidade,
foram encontrados desde solos muito férteis (eutróficos)
até aqueles não férteis (álicos). Logo, na
implantação de qualquer empreendimento agrícola, torna-se
extremamente importante uma análise química detalhada do
solo, a fim de avaliar as necessidades de adubação e calagem
para assegurar alta produção das culturas.
A classificação
das terras no Sistema de Capacidade de Uso é uma expressão
da potencialidade real que as terras apresentam para utilização
agrícola. Cerca de 90% das terras das bacias hidrográficas
estudadas foram englobadas no Grupo A de Capacidade de Uso, onde se têm
terras passíves de serem utilizadas com culturas anuais, perenes,
pastagens, reflorestamentos e vida silvestre. Dentre elas, 5,07% pertencem
à classe II, que correspondem às terras mais nobres, pois
podem ser intensamente utilizada adotando-se práticas simples de
conservação e correção do solo. 49,63% das
terras são da classe III, e nelas deve-se atentar principalmente
para as técnicas de conservação, devido ao tipo de
solo e à declividade das encostas. O restante (35,98%) encontra-se
na subclasse IVe, e as terras assim classificadas devem ser preferencialmente
utilizadas com pastagem. Ao serem utilizadas para o cultivo é imprescindível
a aplicação de técnicas de conservação
do solo, tais como terraceamento ou obras de drenagem, a fim de minimizar
a energia da água.
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