| 3. ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS
De acordo com a Fundação SEADE (1999), Palmeira d’Oeste é um pequeno município, localizado na Microrregião Homogênea, pertencente à região de governo de Jales e inserido na região administrativa de São José do Rio Preto. Com uma área total de 304 km2, ou 30.400 hectares, tem na agricultura, especialmente na pecuária, sua principal atividade econômica. No entanto, o cultivo de uvas finas de mesa lhe garante destaque regional e uma vida digna à um bom número de produtores, neste caso, todos irrigantes. Do ponto de vista da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, o setor agropecuário da região a qual o município de Palmeira d’Oeste está inserido, é gerenciado pela CATI - Regional Jales e a região está localizada no extremo noroeste do Estado de São Paulo. Esta região é servida por uma boa rede de estradas, hidrovia, aeroportos e também possui uma ferrovia que agora, após inauguração da Ponte Rodoferroviária em Rubinéia, deverá ter seu fluxo de serviços ainda maior. Sua ocupação territorial se deu com a implantação das culturas do café e alimentos básicos. Como tais atividades demandam grande mão-de-obra, a região teve sua colonização caracterizada pela agricultura familiar, com estratificação de pequenas propriedades rurais. Levantamento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (LUPA) mostra que 93,96% das propriedades da Regional de Jales tem um tamanho inferior à 100 hectares, representando 118.316,3 hectares. Com a crise do setor cafeeiro agravando-se ano a ano, até a quase total erradicação dos cafeeiros na década de 90, aliada à baixa rentabilidade dos cultivos de alimentos básicos, a região viu agravar-se o êxodo rural e a descapitalização foi inevitável, com o empobrecimento do setor. Na busca pela sobrevivência, a fruticultura se apresentou como uma alternativa viável, através da citricultura baseada em pomares com colheita de laranja para mesa e limão taiti. Posteriormente, com o apoio da extensão rural, procurou-se a diversificação agrícola introduzindo o cultivo de uvas finas de mesa, coco, banana, abacaxi, manga, tangerinas, mamão, anonáceas e mais recentemente a cultura da pupunha, uma opção ecológica para a produção de palmitos. A região apresenta um grande potencial para a produção de alimentos, pois detentora de alta insolação o ano todo, inverno não rigoroso (altas temperaturas o ano todo), solos férteis e principalmente, módulo agrícola composto de pequenas propriedades e centro consumidor próximo, somente a atividade agropecuária poderá assumir o papel de recompor a pujança agrícola do passado. No munícipio de Palmeira d’Oeste, a população total é de 10.316 habitantes, em sua grande maioria residindo no meio urbano. Tem 36 estabelecimentos comerciais, 12 industriais, que empregam atualmente 455 indivíduos, sendo 33 no setor industrial, 79 no comércio e o restante em outras atividades do mercado formal. Outro indicador da economia local é o coeficiente de 8,49 terminais telefônicos por cem habitantes que Palmeira d’Oeste apresenta. Como se pode ler no Quadro 1, a população do município de Palmeira d’Oeste, tem sofrido um ligeiro decréscimo ao longo dos últimos 5 anos, vindo de um total de 10.705 habitantes para 10.238 em 1.998, conforme os dados publicados pela Fundação SEADE, o que corresponde a uma diminuição de 4,36%. No meio rural, entretanto, a diminuição da população foi muito mais significativa, correspondendo a exatos 13,0%, uma vez que havia no campo um total de 3.884 pessoas em 1.984, caindo para 3.379 indivíduos, cinco anos depois. Como se pode perceber, a maior parte desta população deixou o próprio município, enquanto menos de 5% migrou para a zona urbana da cidade. A Foto 17 ilustra o abandono do campo, onde muitas instalações se encontram abandonadas. Os dados constantes do Quadro 2, em especial os referentes ao consumo de energia elétrica indicam que no período de 1.994 a 1.997 - últimos dados disponíveis - tem havido um aumento no consumo de energia elétrica no setor rural, tanto em termos do número ou quantidade de consumidores, que saltou de 808 para 859 (aumento de 6,31 %), como na quantidade megawatts hora consumidos, que passou de 2.795 Mwh, em 1.994 para 3.356 Mwh em 1.997, incremento equivalente a 20,07%. Tais dados informam estar havendo um aumento na utilização da energia elétrica como fonte de energia nas atividades das UPAs (Unidades de Produção Agropecuárias) no município, o que, indiretamente, permite inferir, que apesar de tímido, está ocorrendo um incremento na utilização de máquinas e equipamentos, nos sistemas de produção dos agricultores locais. A dinâmica da atividade agropecuária tem aumentado no município, se tomamos como um fiel indicador de tal dinâmica o montante de recursos financeiros alocados nesta atividade, como se pode ver no Quadro 3. De 1.994 a 1.997, houve um aumento no volume de crédito rural alocado na agricultura em Palmeira d’Oeste, praticamente correspondente a duas vezes, saltando de R$ 2.018.793,00 para R$ 3.951.364,00. Com relação aos recursos do crédito rural destinado à pecuária, houve um aumento próximo de 80%. É preciso considerar também que 1.994 corresponde ao primeiro ano de implantação do Plano Real, momento em que a agricultura tendo-se constituído em âncora verde do plano, passou por momentos de dificuldades que, aos poucos, como os dados revelam, foram superadas. QUADRO 1 - Demografia e participação do município no ICMS.
QUADRO 2 - Consumo de energia elétrica em Palmeira d’Oeste.
QUADRO 3 - Financiamento obtido pelos produtores através do crédito rural.
Com uma área total
de 304 km2 ou 30.400 hectares, Palmeira d’Oeste pode ser considerado
um município pequeno, tanto que a propriedade rural mais distante
da sede do município fica a 25 km da mesma, estando a maior parte
dos imóveis a menos de 8 km de distância do perímetro
urbano propriamente dito. Conforme pode ser visualizado no Quadro 4, um
total de 906 UPAs ocupam uma área total de 29.373,50 hectares, valor
este que corresponde a 96,6 % da área total ocupada pelo município.
O maior imóvel de Palmeira d’Oeste tem 883,3 hectares ou 365 alqueires,
ao passo que a menor unidade produtiva ocupa 1,2 hectares ou menos de 0,5
alqueire. Já a área média das propriedades rurais
é de apenas 32,42 hectares ou 13,4 alqueires, o que revela ser a
grande maioria dos imóveis deste município característicos
de agricultores familiares.
QUADRO 4 - Estatísticas agrícolas do município de Palmeira d'Oeste, SP - 1995/96.
QUADRO 5 - Uso do solo das UPAs de
Palmeira d’Oeste em valores absolutos e
O Quadro 6 aglutina todas
as culturas cultivadas e plantadas no município, em ordem decrescente
de importância segundo o fator área cultivada. Nota-se que,
como já apontado no quadro anterior, a braquiária é
a principal cultura plantada em Palmeira d’Oeste, ocupando mais de 23.000
dos 29.373,50 hectares existentes, valor este que corresponde a 78,47 %
do total, estando presente em 877 das 906 unidades produtivas de Palmeira
d’Oeste, ou seja, em 96,8 % do total de UPAs.
QUADRO 6 - Área cultivada
com culturas anuais, perenes, semi-perenes e pastagens no
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|
|