| 4.3. Simulação e efeito
de veranicos em culturas desenvolvidas na região de Palmeira d’Oeste
- SP
Considerando
a constatação de déficits hídricos na região
e visando qualificar a importância da irrigação suplementar,
ou por outro lado, qual o efeito na produção da ausência
de água no solo, se realizou o trabalho de simulação
e efeito dos veranicos na produção das principais culturas
cultivadas na região.
4.3.1. Introdução
Num mundo globalizado e
de alta competição, no qual vivemos atualmente, se torna
necessário que a agricultura seja praticada de forma intensiva e
com alta produtividade. Logo, é imprescindível a adoção
da tecnologia da irrigação, pois ela possibilita alta produção,
padronização e qualidade dos produtos e, principalmente,
a produção em períodos fora de época, onde
os preços pagos ao produtor são maiores.
Porém, quando a agricultura
irrigada é realizada sem critério e sem planejamento as conseqüências,
ao longo do tempo, são prejudiciais ao meio ambiente e ao investimento
realizado. Em cultivos de entresafra ou até mesmo o cultivo de safrinha
sem o uso de irrigação, os riscos no processo de produção
são elevados em função do estresse hídrico,
sendo mais crítico na fase de florescimento para a maioria das culturas.
O déficit hídrico
na planta é caracterizado por uma redução do seu conteúdo
de água e do seu potencial hídrico, resultando em perda de
turgescência, fechamento dos estômatos e redução
do crescimento, e conseqüentemente redução da produção
final.
A ocorrência
de períodos prolongados de estiagem, os veranicos, é comum,
principalmente no Brasil Central e Centro Oeste, mas acontece também
na região noroeste do Estado de São Paulo, onde são
registradas as maiores taxas de evapotranspiração do Estado.
As perdas em produção variam com a intensidade e duração
do estresse hídrico, bem como dependem do estádio de desenvolvimento
da planta (Couto et al, 1986). De acordo com Doorenbos e Kassam (1979),
o déficit hídrico tem efeito direto na produção
final das culturas, aliado ao Fator de Resposta da Cultura à Água
(Ky), o qual depende da cultura e do estádio de desenvolvimento
da mesma.
Segundo Barbosa (1986),
a ocorrência irregular do veranico, de ano para ano, torna a cultura
do milho vulnerável ao déficit hídrico em qualquer
estágio de desenvolvimento, com prejuízos visíveis
na sua produção. No caso do milho, Espinoza et al (1980)
verificaram reduções de até 60% no rendimento da cultura
quando o déficit hídrico ocorreu desde o estádio de
floração até o enchimento dos grãos, e de 40%
quando ocorreu durante a iniciação floral. Os mesmos autores
concluíram que, para o experimento conduzido, em que os períodos
de seca ocorreram durante todo ou parte do processo reprodutivo da planta,
a irrigação suplementar permite praticamente duplicar os
rendimentos das variedades de milho testadas. Souza e Frizzone (1997) simularam
quedas de produção na cultura do milho de até 65%,
para veranicos ocorridos no estádio de floração na
região de Piracicaba.
Uma das principais
limitações à produção de soja nos cerrados
deve-se aos veranicos, os quais afetam significativamente a produção.
Espinoza (1982), encontrou rendimentos 24 a 55% superiores da cultura da
soja irrigada em relação aos cultivos em que a água
foi limitante. Magalhães e Millar (1978) encontraram reduções
de 20, 38 e 52% na produção de feijão, para veranicos
de 14, 17 e 20 dias ocorridos a partir do início da floração,
respectivamente. Guimarães et al (1982) observaram reduções
de 49% na cultura de feijão, quando esta sofreu deficiência
hídrica.
Segundo Barbosa (1986),
veranicos que atingem os estádios de floração e enchimento
de grãos são extremamente limitantes para a produção
de sorgo. Costa e Couto (1986) encontraram uma produção de
sorgo de 4.250 e 1.950 kg/ha, correspondendo a 650 e 220 mm de água,
respectivamente.
Stone et al (1986)
estudando o efeito de veranicos na cultura do arroz, concluíram
que a produção de grãos e os rendimentos de matéria
seca foram afetados negativamente por incrementos nos períodos dos
veranicos, enquanto que Souza et al (1997) simularam quedas de produção
na cultura do fumo, variando entre 30 e 70%, dependendo da época
de ocorrência dos máximos veranicos, que foram simulados para
o estádio vegetativo 2, na região de Cruz das Almas.
Déficit hídrico,
estiagem e veranico são termos muitas vezes utilizados como sinônimos,
entretanto sempre se faz necessário independente do termo, informar
a duração, freqüência e período de retorno
com que ocorrem. Assim, estudos têm sido desenvolvidos no sentido
de conhecer a variação temporal e espacial das precipitações
pluviométricas com vistas ao fornecimento de subsídios ao
planejamento da época de plantio e melhor adequação
no uso da irrigação complementar. Existem algumas técnicas
para fazer a previsão de fenômenos meteorológicos.
O processo de simulação pode ser adotado com esta finalidade,
visto que permite a partir de dados históricos simular valores de
ocorrência futura. Uma técnica de simulação
bastante utilizada é o método “Monte Carlo”, a qual é
descrita por Hillier e Lieberman (1988).
Este trabalho teve
por objetivos estabelecer, por meio de simulações, a duração
e a freqüência de ocorrência de veranicos para a região
de Palmeira d’Oeste - SP, bem como o efeito dos veranicos simulados na
fase crítica do desenvolvimento de seis culturas cultivadas na região.
4.3.2. Metodologia
As simulações
foram feitas utilizando-se o software Veranico 2.0 (Souza, 1999), cujo
modelo permite simular a freqüência relativa e o período
de retorno da ocorrência de veranicos, de diferentes durações,
dentro de um mês, para uma região considerada, e o respectivo
efeito destes veranicos na produção de uma determinada cultura.
Do ponto de vista teórico, o termo veranico está associado
a falta de chuva no período chuvoso, porém, o modelo desenvolvido
permite simular as freqüências relativas e o período
de retorno das diferentes durações de seqüências
de dias secos, para qualquer época do ano. Assim, o termo veranico
foi utilizado para caracterizar uma seqüência de dias secos,
intercalados entre dias chuvosos, independente da época em que ocorre.
Para alimentar o modelo
são necessários os dados relativos a freqüência
observada de dias consecutivos sem chuva, para um determinado mês
(obtidos de uma série meteorológica), os dados de evapotranspiração,
os valores dos coeficientes de cultura e de resposta à água
em cada estádio e os dados de solo.
Para obtenção
das seqüências observadas de dias sem chuva, intercalados entre
dias chuvosos, utilizaram-se dos dados pluviométricos referentes
a um período de 27 anos (1971-1997) obtidos junto ao Centro Tecnológico
de Hidráulica e Recursos Hídricos do Departamento de Águas
e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), para o posto pluviométrico
de Palmeira d’Oeste (B7-042), dado pelas coordenadas geográficas
20°25’ de latitude sul e 50°46’ de longitude oeste, e altitude
igual a 430 metros. Foram obtidas na série de dados as ocorrências
de cada intervalo de dias secos, intercalados entre dias chuvosos, assumindo-se
como dia seco, o dia em que ocorreu precipitação pluviométrica
menor ou igual a evapotranspiração de referência em
base diária, para a região e mês considerados.
A evapotranspiração
de referência média (ETo), em base diária, foi estimada
utilizando-se o software Hidrisa (Hernandez et al, 1995), considerando-se
a equação de Penman-FAO, aplicada aos dados obtidos para
a região de Ilha Solteira, para um período de 21 anos (1978
- 1998). A região de Ilha Solteira tem coordenadas geográficas
correspondentes a 20°22’ de Latitude Sul e 51°22’ de Longitude
Oeste e altitude média de 335 m. O clima da região, segundo
a classificação de Köppen, é do tipo Aw, definido
como tropical úmido com estação chuvosa no verão
e seca no inverno, apresentando temperatura média anual de 24,5°C,
precipitação média anual de 1.232 mm e uma umidade
relativa média anual de 64,8% (Hernandez et al, 1995). Estes valores
de ETo também foram utilizados nas simulações da produção
relativa para as culturas estudadas e estão apresentados na Figura
6.
Os dados de umidade
do solo na Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente, em porcentagem
em volume, foram considerados de 23,70 e 11,80%, respectivamente, sendo
estes valores correspondentes aos valores médios dos solos típicos
da região, Podzólico Vermelho Escuro, que se caracterizam
por serem espessos (profundidades maiores que 1,5 m), indicando um estádio
avançado de evolução pedogenética. Estes solos
originaram da intemperização de arenitos da Formação
Adamantina do Grupo Bauru, rochas do cretáceo superior que compõem
Bacia Sedimentar do Paraná.
Considerou-se nas
simulações, o efeito dos veranicos em seis culturas desenvolvidas
na região, sendo três anuais (algodão, feijão
e milho) e três perenes (banana, citros e uva). Para todas as culturas
simulou-se o efeito dos veranicos no estádio de desenvolvimento
mais sensível ao déficit hídrico, sendo os respectivos
coeficientes de cultivo determinados pela metodologia proposta por Doorenbos
e Pruitt (1977). Os valores dos fatores de resposta da cultura à
água (Ky), foram obtidos em uma tabela apresentada em Doorenbos
e Kassam (1979). Para as culturas anuais, bem como para a banana e uva
considerou-se uma profundidade do sistema radicular de 40,0 cm, para a
cultura do citros, este valor foi considerado de 80,0 cm.
FIGURA 6 - ETo (mm/dia) média entre 1978-1998 nos diferentes
meses do ano, para a região de Ilha Solteira, SP.
Para as seis culturas,
foram simulados os efeitos dos veranicos considerando-se a fase fenológica
mais crítica ocorrendo em três meses distintos, sendo o intermediário
correspondente ao mês médio de ocorrência da fase fenológica
na região. Os meses anteriores e posteriores foram simulados para
verificar o efeito dos veranicos no caso da antecipação e
prorrogação do estádio de desenvolvimento mais crítico,
para as culturas avaliadas.
Uma maneira de utilizar
os valores simulados para selecionar as épocas com menores probabilidades
de perdas decorrentes dos veranicos consiste em determinar a Produção
Relativa Média Ponderada, obtida pela multiplicação
dos diferentes valores de produção relativa simuladas para
cada veranico provável em um mês, pela respectiva freqüência
simulada do veranico, dividido pela freqüência simulada total.
Estes valores de Perda Média Ponderada foram obtidos para as seis
culturas estudadas, nos três meses avaliados em cada cultura.
4.3.3. Resultados
e discussão
Os resultados das
simulações das durações e respectivas freqüências
de ocorrência dos veranicos estão sumariados nas Figura 7
(A, B, C e D). Comparativamente, as freqüências dos veranicos
simulados apresentaram comportamento semelhante no período de dezembro
a março, caracterizado pelas altas freqüências de ocorrência
de veranicos com duração reduzida. Neste período,
as freqüências simuladas para veranicos superiores a 4 dias,
foram sempre menores do que 10%, o que acarreta menores probabilidades
de veranicos mais longos. Nos meses de abril, maio, setembro, outubro e
novembro, ocorreu uma maior distribuição das freqüências
simuladas dos veranicos, entretanto, pode-se ainda evidenciar uma tendência
de concentração das maiores freqüências para os
veranicos de menor intensidade.
Para os meses de junho,
julho e agosto (período seco) pode-se evidenciar uma dispersão
dos valores das freqüências simuladas para os veranicos de diferentes
durações, com sensível aumento das frequências
simuladas parar veranicos mais longos. Nestes meses, os veranicos foram
simulados com base na função empírica, já que
as simulações com base na Cadeia de Markov não apresentaram
ajustes significativos pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Para os demais
meses, as simulações dos veranicos foram feitas utilizando-se
a opção do programa que permite o ajuste com base na Cadeia
de Markov de primeira ordem. Sousa e Frizzone (1998) encontraram resultados
semelhantes quanto ao ajuste dos dados de seqüências de dias
secos à Cadeia de Markov, concluindo que o modelo Markoviano ajusta-se
melhor para os meses em que as seqüências de dias secos apresentaram
elevada freqüência para seqüências de curta duração
ocorridas dentro do período chuvoso, ou seja, os veranicos. Para
os meses mais secos o modelo com base na Cadeia de Markov não apresenta
um bom ajuste.


FIGURA 7 - Duração
de veranicos e respectivas freqüências simuladas para os trimestres
estudados, na região de Palmeira d’Oeste, SP.
A análise da Figura
7 permite ainda identificar as durações e respectivas freqüências
de ocorrência dos veranicos máximos simulados para a região,
observando nas mesmas que para o período compreendido entre os meses
de abril a setembro são prováveis a ocorrência de veranicos
com duração correspondente ao total de dias do respectivo
mês, embora somente no trimestre de junho a agosto as freqüências
simuladas para um veranico de duração correspondente ao total
do mês sejam superiores a 10%.
Na Figura 8 (A, B, C, D,
E e F) são mostrados os valores de produção relativa,
em porcentagem da produção máxima, para cada veranico
ocorrido no estádio de desenvolvimento mais sensível de cada
uma das seis culturas estudadas nos três meses avaliados.



FIGURA 8 - Valores de
produção relativa, em porcentagem da produção
máxima, para cada veranico ocorrido no estádio de desenvolvimento
mais sensível de cada uma das seis culturas estudadas nos três
meses avaliados
A análise geral dos
dados contidos na Figura 8 permite identificar a produção
relativa simulada para cada um dos veranicos de diferentes durações
ocorridos nos meses avaliados, e associando aos valores apresentados nas
Figuras 6 e 7, pode-se fazer a determinação da freqüência
de veranicos que proporcionarão uma determinada queda de produção,
considerando-se uma cultura e mês de desenvolvimento. Assim, por
exemplo, se considerarmos, a máxima queda de 10%, ou seja, uma produção
relativa de 90%, decorrente de veranicos ocorridos na floração
do algodão em setembro, pode-se observar na Figura 8A que veranicos
superiores a 8 dias proporcionaram quedas maiores que o valor considerado.
Na Figura 7D verifica-se que a freqüência simulada para veranicos
desta duração em setembro é cerca de 5%, sendo as
freqüências para veranicos superiores a 8 dias menores que 5%.
Para os demais casos a análise pode ser feita de forma semelhante.
A análise específica
para cada uma das culturas permite destacar alguns pontos. Para o caso
do algodão (Figura 8A) observa-se que os veranicos ocorridos para
a fase de floração acontecendo em setembro, são os
menos danosos à produção, ou seja, proporcionam maiores
produções relativas em relação aos outros meses
avaliados, entretanto, para a região, o mês médio de
florescimento para a cultura é outubro. Por outro lado pode-se observar
na Figura 7D que o mês de setembro apresenta maiores freqüências
simuladas para os veranicos de maiores durações, em relação
aos demais meses.
Para o feijão (Figura
8B) as menores perdas simuladas na floração ocorreram para
o mês de junho, sendo este o mês médio de ocorrência
da fase na região de Palmeira d’Oeste. Por outro lado, pode-se observar
na Figura 7 (B e C) que o mês de junho apresenta freqüências
simuladas para veranicos de maiores durações, bem mais acentuadas
do que as simuladas para o mês de maio, ou seja, apesar do mês
de junho apresentar menores perdas simuladas decorrentes de veranicos de
mesma duração em comparação com o mês
de maio, os veranicos mais intensos e que conseqüentemente proporcionam
maiores perdas apresentam freqüências simuladas bem maiores
para o mês de junho em comparação com maio. O estádio
da floração do feijão acontecendo em julho e é
o mais problemático para a região, pois associa as menores
produções relativas com as maiores freqüências
simuladas para veranicos de maior duração.
O efeito dos veranicos simulados
para a cultura do milho pode ser observado na Figura 8C. Nesta Figura verifica-se
que veranicos ocorridos no mês de agosto são os que proporcionam
menores efeitos na produção, entretanto para este mês
as freqüências simuladas para veranicos de maiores durações
são superiores as simuladas para os demais meses. Veranicos ocorridos
no mês médio de ocorrência do florescimento do milho
na região (setembro), são os que proporcionam produções
relativas intermediárias, entretanto neste mês, embora com
baixa freqüência simulada, são prováveis veranicos
de duração correspondente ao total de dias do mês.
O efeito dos veranicos simulados
para as culturas de banana, citros e uva nos três meses avaliados
podem ser observados nas Figuras 8D, 8E e 8F, respectivamente. Para as
três culturas o comportamento foi semelhante, sendo as perdas simuladas
bem menores para veranicos ocorridos em julho. Os veranicos ocorridos em
agosto proporcionam perdas intermediárias, e os ocorridos em setembro
são os mais danosos à produção das três
culturas. Quanto às freqüências de ocorrência dos
veranicos, pode-se observar nas Figuras 7C e 7D uma ordem decrescente das
freqüências simuladas para os meses de julho, agosto e setembro,
ou seja, neste trimestre, no mês em que os veranicos são mais
danosos à produção, são menores as freqüências
simuladas para os veranicos de maiores durações, em comparação
com os outros meses.
Uma comparação
dos efeitos dos veranicos nas seis culturas estudadas em cada um dos três
meses avaliados pode ser feita analisando-se a Figura 9, onde é
apresentada a produção relativa média ponderada para
cada cultura e mês de estudo, podendo ser utilizada para selecionar
as melhores épocas de cultivo das culturas na região.
A análise da Figura
9 permite verificar que para a cultura do algodão as produções
relativas médias ponderadas foram próximas para os três
meses, variando de 75,5 a 83,6%. Verifica-se que a menor produção
média ocorreu para o mês de setembro, embora neste mês
as produções relativas para cada veranico individualmente
tenham sido superiores aos demais (Figura 8A), isto se deu pelo fato de
no mês de setembro, serem maiores as probabilidades de veranicos
de maiores durações, o que proporciona uma maior perda média
ponderada. Da mesma forma pode-se analisar o mês de novembro, no
qual os veranicos individuais proporcionam maiores perdas, entretanto,
neste mês ocorreu a maior produção relativa média
ponderada, ou seja para este mês foi simulada a menor perda média
para o algodão, já que neste mês são menores
as probabilidades de veranicos de maiores durações.
Para a cultura do feijão
foram maiores as diferenças entre as produções relativas
médias ponderadas para os três meses, variando entre 54,5
e 84,3%, sendo que no mês de julho foram simuladas as menores produções
relativas para cada veranico individualmente, bem como a menor produção
relativa média ponderada. No mês de junho as produções
relativas de cada veranico são maiores, entretanto este mês
proporcionou uma menor produção média do que a observada
para maio.
FIGURA 9 - Produção
Relativa Média Ponderada, em porcentagem da produção
máxima, para
as culturas estudadas nos meses avaliados.
No caso do milho observa-se
uma variação de 39,2 e 73,6% entre as produções
médias ponderadas para os meses de agosto e outubro. O comportamento
foi semelhante ao do algodão, ou seja, no mês em que os veranicos
individuais afetam menos a produção (agosto), são
maiores as probabilidades de veranicos mais intensos, o que vai acarretar
em uma menor produção relativa média ponderada. Da
mesma forma no mês outubro no qual os veranicos são mais danosos
a produção (Figura 8C), são menores as probabilidades
de veranicos mais intensos e conseqüentemente maior a produção
relativa média ponderada.
Para o caso das culturas
perenes pode-se observar na Figura 9 que as menores produções
médias ponderadas ocorreram para o mês de agosto. Nas Figuras
8D, E e F verifica-se que este mês tem comportamento intermediário
quanto aos efeitos de cada veranico individualmente. Veranicos ocorridos
em setembro são os mais danosos a produção, entretanto
para este mês foram simuladas as maiores produções
relativas médias ponderadas, o que ocorreu pelo fato de que, neste
mês, são menores as probabilidades de ocorrência de
veranicos mais intensos.
No Quadro 20 são
apresentados os valores das durações, probabilidades e períodos
de retorno dos veranicos críticos para cada cultura e mês
de ocorrência. Veranico crítico foi considerado como a duração
do período seco, a partir da qual a cultura vai consumir toda água
disponível no solo, e caso a água não seja reposta
a produção final será zero.
Como exemplo, pode-se verificar
que para veranicos maiores ou iguais a 18 dias, ocorridos em maio na fase
de florescimento, a cultura do feijão vai consumir toda a água
disponível no solo, e caso esta não seja reposta, a cultura
vai cessar seu crescimento, sendo de 35,2% a probabilidade de ocorrência
deste evento, o que resulta em um período de retorno (P.R.) de 2,84
anos.
De modo geral, são
altas as probabilidades de ocorrência dos veranicos críticos
para as culturas anuais, o que dá um período de retorno curto
para os eventos, sendo de 1 ano para a cultura do milho em agosto. Pode-se
considerar, com base no quadro, o alto risco de produzir sem irrigação
nas condições estudadas.
QUADRO 20 - Durações,
probabilidades e períodos de retorno dos veranicos críticos
para as culturas
e meses avaliados.
|
Culturas Anuais
|
|
Algodão
|
Feijão
|
Milho
|
|
Mês
|
Dur.
dias
|
Prob. (%)
|
P. R. anos
|
Mês
|
Dur.
dias
|
Prob. (%)
|
P. R. anos
|
Mês
|
Dur.
dias
|
Prob. (%)
|
P. R. anos
|
|
Set.
|
12
|
72,5
|
1,38
|
Mai.
|
18
|
35,2
|
2,84
|
Ago.
|
13
|
100,0
|
1,00
|
|
Out.
|
11
|
66,4
|
1,51
|
Jun.
|
23
|
53,8
|
1,86
|
Set.
|
12
|
72,5
|
1,38
|
|
Nov.
|
10
|
63,2
|
1,58
|
Jul.
|
17
|
79,1
|
1,26
|
Out.
|
11
|
66,4
|
1,51
|
|
Culturas Perenes
|
|
Banana
|
Citrus
|
Uva
|
|
Mês
|
Dur.
dias
|
Prob. (%)
|
P. R. anos
|
Mês
|
Dur.
dias
|
Prob. (%)
|
P. R. anos
|
Mês
|
Dur.
dias
|
Prob (%).
|
P. R. anos
|
|
Jul.
|
17
|
79,2
|
1,26
|
Jul.
|
---
|
---
|
---
|
Jul.
|
---
|
---
|
---
|
|
Ago.
|
13
|
100,0
|
1,00
|
Ago.
|
---
|
---
|
---
|
Ago.
|
---
|
---
|
---
|
|
Set.
|
13
|
62,2
|
1,61
|
Set.
|
---
|
---
|
---
|
Set.
|
21
|
15,5
|
6,45
|
Para as culturas perenes
os veranicos críticos ocorreram para o mês de setembro na
cultura da uva, porém com um período de retorno de 6,47 anos,
enquanto que nos citros não foram obtidos veranicos críticos
para as condições avaliadas. A cultura da banana mostrou-se
bem mais sensível, com veranicos críticos de período
de retorno de 1,26; 1,0 e 1,61 anos para os meses de julho, agosto e setembro,
respectivamente.
4.3.4. Conclusões
Considerando a metodologia
utilizada e com base nas simulações realizadas, pode-se concluir
que:
- As freqüências
dos veranicos simulados apresentaram comportamento semelhante no período
de dezembro a março, caracterizado pelas altas freqüências
de ocorrência de veranicos com duração reduzida. Para
os meses de abril, maio, setembro, outubro e novembro, ocorreu uma maior
distribuição das freqüências simuladas dos veranicos,
entretanto, pode-se ainda evidenciar uma tendência de concentração
das maiores freqüências para os veranicos de menor intensidade.
Nos meses de junho, julho e agosto pode-se evidencia-se um sensível
aumento das freqüências simuladas para veranicos mais longos.
- Na cultura do algodão
as produções relativas médias ponderadas foram próximas
para os três meses avaliados, variando de 75,5 a 83,6%, enquanto
que na cultura do feijão foram maiores as diferenças entre
as produções relativas médias ponderadas para os três
meses, variando entre 54,5 e 84,3%. No caso do milho observou-se uma variação
de 39,2 e 73,6% entre as produções médias ponderadas
para os meses de agosto e outubro.
- Para o caso das culturas
perenes pode-se observar que as menores produções médias
ponderadas ocorreram para o mês de agosto.
- De modo geral, são
altas as probabilidades de ocorrência dos veranicos críticos
para as culturas anuais, o que resulta em um período de retorno
curto para os eventos. No caso das culturas perenes, os veranicos críticos
ocorreram para o mês de setembro na cultura da uva, porém
com um período de retorno de 6,47 anos. Para o citros não
foram obtidos veranicos críticos para as condições
avaliadas. A cultura da banana mostrou-se bem mais sensível, com
veranicos críticos com períodos de retorno de 1,26; 1,0 e
1,61 anos para os meses de julho, agosto e setembro, respectivamente.
- Os resultados obtidos
permitem concluir com segurança que o desenvolvimento da agricultura
na região sem o uso da irrigação é uma atividade
de alto risco, se considerarmos a necessidade de se obter altas produtividades
para que o agricultor não seja excluído da atividade.
|